20
out

PÍLULAS – III

   Publicado por: Bira Câmara  em Pílulas

Um astrólogo de Turim levantou o horóscopo da duquesa de Borgonha e previu que ela morreria aos vinte e sete anos de idade. Ela falava nisso constantemente e um dia disse ao seu marido: “Está se aproximando a data em que devo morrer; você não pode ficar sem esposa por causa de sua posição e de sua devoção conjugal; então eu lhe pergunto, com quem você se casará?” Ele respondeu: “Espero que Deus nunca me castigue tão cruelmente, fazendo-me assistir a sua morte; mas se essa desgraça é inevitável, eu não me casarei jamais, pois, oito dias depois, eu a seguirei no túmulo”. E, com efeito, sete dias depois da morte da condessa, ele também morreu.
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Charles II, rei da Inglaterra, se fechava durante horas com o duque de Buckingham no afã de produzir ouro através da alquimia ou para tentar adivinhar o futuro pela leitura dos astros. Recomendaram-lhe o abade Pregnani, um químico competente e astrólogo reputado, que gozava de grande prestígio em Paris, particularmente junto às damas. Mas o abade teve uma desastrosa performance nas corridas de cavalo de New-Market, aonde o rei o havia levado: teve o cuidado de fazer o horóscopo dos cavalos que disputariam o prêmio, e perdeu muito dinheiro apostando sob a fé de suas próprias predições…
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A condessa Potocka contou muito sériamente nas suas Memórias a profecia de um astrólogo em Poniatowski, na Cracóvia, no momento em que nascia o seu filho Stanislas: “Eu te saúdo, rei dos poloneses, eu te saúdo desde hoje, ainda que ignore a ascensão a que você está predestinado, e as desgraças que se seguirão a ela.” – disse o astrólogo. – Com efeito, Stanislas se tornou rei e a Polônia foi desmembrada durante o seu reinado.
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Um astrólogo chamado Barbé leu nos céus o destino quase real de Françoise d’Aubigné, quando era ainda casada com o escritor humorista Paul Scarron, vinte cinco anos mais velho que ela. Depois de enviuvar, tornou-se amante de Luis XIV, que a desposou secretamente em 1683…
27
set

Previsão ao contrário

   Publicado por: Bira Câmara  em Previsões

Um astrólogo do século XIX, redator de almanaques, em viagem pela Suiça, resolveu fazer um passeio pela montanha de manhã. O céu estava limpo e sem nuvens, e nosso turista estava prestes a sair quando o seu estalajadeiro o aconselhou a desistir do passeio.

– Acabo de consultar meu almanaque – disse-lhe o homem –, e tenho certeza que não vai demorar para chover.

Nosso viajante, conhecendo melhor que ninguém os absurdos das profecias contidas nos almanaques, não levou em conta a advertência. Saiu e, duas horas depois, caiu uma violenta tempestade que o obrigou a voltar à estalagem com as roupas ensopadas de água.

– Você tinha razão – disse ao estalajadeiro, logo ao entrar no hotel –; mas que almanaque maravilhoso é esse que você consulta?

– É o do astrólogo X. (que era o nome de nosso viajante); ele nunca me engana, pois este X. é tão mentiroso que seguindo as suas previsões ao contrário quase sempre eu acerto. O almanaque anunciava um tempo magnífico para hoje; não tinha razão em aconselhá-lo a não sair?

Albert Lévy, Curiosités Scientifiques, Paris / 1898, pág. 101 
21
set

Dante e a astrologia

   Publicado por: Bira Câmara  em Literatura

DANTE webDante Alighieri (1265-1321), também foi adepto da astrologia, que em sua época era ensinada na Universidade de Bolonha (desde 1125), onde ele estudou. Brunetto Latini, que havia sido o seu professor de eloqüência e retórica, fez o horóscopo de Dante. Em sua obra há inúmeras referências astrológicas, o que mostra seu profundo conhecimento do assunto. Assim, numa passagem de “A Divina Comédia”, ele reverencia a constelação de Gêmeos, signo sob o qual nasceu:

DIVIN-01 web

“A bela estrela, do amor auspiciosa Sorrir alegre faz todo o Oriente, Vela os Peixes, que a seguem, luminosa.” Purg., c. 1, v. 19-21

“Ö gloriosíssima estrela, ó lume cheio de virtude magna, devo-te o meu engenho e tudo o mais que seja de estimável, pois em teu signo se encontrava o sol quando respirei pela primeira vez”. (Paraíso, XXII, 112-117)

E no Purgatório, canto XVI:

“Embora livres, estais submetidos a uma força superior e a uma natureza mais elevada, e esta outra potência cria em vós o espírito que os céus não podem dominar.”

Em outra passagem, desta vez no Inferno, Virgílio conduz o poeta diante dos adivinhos, cuja cabeça foi torcida de modo a obrigá-los a nunca mais poderem olhar senão para trás. Este é o castigo por tentarem olhar para o futuro com tanta insolência, privilégio exclusivo de Deus… Nesta seção do Inferno vemos desfilar, entre outros, os mitológicos adivinhos Calcas e Tirésias, e os astrólogos Guido Bonatti e Michael Scott, ridicularizados por terem misturado necromancia com ciência.

O primeiro é acusado de “perícia em fraudes de magia” e o segundo arrepende-se de ter desprezado a ciência pela “horrível arte de encantos infernais”. A condenação refere-se, pois, à prática de magia negra e não ao exercício da astrologia. Já ao patrão de Scott, o rei Frederico II — tido dante textcomo herege —, Dante reserva-lhe um lugar no compartimento dos heresiarcas, no Inferno. Nos últimos livros da Divina Comédia, a astrologia é colocada em posição de dignidade. Ainda, no Purgatório, temos a seguinte passagem:

“O céu inicia os nossos movimentos, não todos na verdade, mas daí não se conclua que, tudo o que fizeres, seja por determinismo, visto que o discernimento do bem e do mal é um lume que te foi dado para modificar aquelas tendências, graças ao teu livre-arbítrio; de modo que, se houveres recebido más influências ao nascer, mais tarde poderás modificá-las se tiveres vontade firme para combatê-las .”(XVI, 73-79)

Fontes:

Dante Alighieri, “A Divina Comédia”, trad. J. P. Xavier Pinheiro, Cia. Brasil Ed., 1955

Edmundo Cardillo, “Aspectos Novos de Velhos Temas”, S. Paulo, 1950

11
set

Tibério, astrólogo

   Publicado por: Bira Câmara  em Astrólogos

TiberiusO imperador romano Tibério não só consultava astrólogos, como também sabia fazer e interpretar horóscopos com grande perspicácia. Teve a seu serviço Trasilo, célebre astrólogo da época. Sua mãe, como era hábito entre os antigos romanos, consultou o adivinho Escribonius, antes mesmo dele nascer, e ouviu a profecia do futuro brilhante que estava reservado ao seu filho.

Segundo Tácito e Suetônio, Trasilo teria instruído Tibério na astrologia, na época em que viveu em Rhodes. Talvez por isso este imperador tenha condenado à morte grande número de pessoas acusadas de ter tirado seu horóscopo, com receio de que tornassem públicas as honras que lhe estavam reservadas. Suetônio conta que o imperador fazia em segredo, ele mesmo, o horóscopo das pessoas mais importantes, para saber se não havia nenhum rival entre elas. Ler texto completo »

28
ago

Michael Scot, um astrólogo lendário

   Publicado por: Bira Câmara  em Astrólogos

Michael Scot, astrólogo, monge, médico, mate­mático, astrônomo, pintor e alquimista nascido no fim do século XII, é uma das figuras mais fascinantes da história da astrologia. Chamado de “o Mago do Norte”, muitos historiadores o consideram o primeiro cientista da Escócia. Scot foi tão famoso que se tornou uma lenda, como outro monge, Roger Bacon, um homem de ciência como ele; sua biografia como a de Bacon, perdeu-se nas brumas do mito e da lenda após sua morte. Em 1385, Bacon disse ser capaz de materializar uma ponte acima do ar para atravessar um rio. No século anterior, Scot afirmou ter dividido os Montes Eildon, na Escócia!

Não só pela aura de mistério que cerca sua biografia, mas também pelos feitos que lhe são atribuídos, sua fama de mago-astrólogo impregnou o imaginário popular ao longo do tempo e tem inspirado até hoje personagens de ficção (1). O mistério começa já na sua origem: não se sabe se era escocês, irlandês ou francês e não se possui nenhum dado a respeito da data de seu nascimento. Em 1236, a obra de um poeta ligado à corte do Imperador Frederico II, na Sicilia, menciona sua morte. É tudo que se sabe dele. Ler texto completo »

2
ago

Predições Antológicas

   Publicado por: Bira Câmara  em Astrólogos, História, Previsões, Pílulas

200px-CaracallaAtribui-se ao imperador romano Caracala (imperador de 211 a 217), o assassinato de possíveis sucessores ao trono do império, baseado em “diagramas de posições siderais”. Apesar de matar muita gente cujos horóscopos prometiam elevação, Caracala não percebeu nada que o ameaçasse em Gordiano, o velho. Autor de um longo poema épico em sua homenagem chamado Antoninias, tornou-se imperador, embora por um breve espaço de tempo (três semanas).

Caracala parece ter tido a mesma convicção total na astrologia que o seu pai Sétimo Severo. Muitos astrólogos foram chamados para o aconselhar, e vários deles – o egípcio Serápio, Asclétion, e Larginus Proculus – o preveniram que ele não viveria muito tempo e que o seu sucessor seria Macrinus, um prefeito. Asclétion foi executado, Larginus Proculus foi condenado à execução imediatamente depois da data que tinha predito para a morte de Caracala, e Serápio foi lançado a um leão (que apenas lambeu-lhe a mão e, assim, uma execução mais prosaica teve de ser providenciada).

gordiano 1Conta-se que Gordiano, o velho, que havia sido governador da Grã-Bretanha romana em 216 e cônsul durante o reinado de Heliogábalo, um dia consultou um astrólogo sobre o destino de seu filho e ouviu em resposta que ele seria filho, pai de imperador e imperador também. E, como Gordiano risse, o astrólogo lhe mostrou a configuração dos astros, citando passagens de velhos livros, para provar que tinha dito a verdade. Predisse também ao velho e ao jovem, o dia e o gênero de suas mortes, os lugares onde morreriam, com firme convicção da verdade. Gordiano I, o velho, e Gordiano II - pai e filho -, tornaram-se imperadores, mas permaneceram no poder por um tempo ínfimo. Sendo o primeiro descendente de Trajano, foi nomeado imperador pelos africanos durante uma sublevação contra o imperador (Máximo Trácio) e governou apenas três semanas; em 238 foi derrotado em Cartago pelo procurador da Numídia. Neste mesmo ano, o filho morreu na defesa de Cartago. Sucedeu-os, Gordiano III, o piedoso, imperador de 238 a 244.

Alexandre Severo, último dos imperadores romanos da dinastia 250px-Alexander_Severus_Musei_Capitolini_MC471dos Severos, que reinou entre 222 e 235, era astrólogo, mas não fazia alarde desta habilidade. Todavia, encorajou os astrólogos profissionais a se organizarem em um corpo para transmitir o seu conhecimento de uma maneira disciplinada, anunciando-se de fato como professores. Fundou cátedras para astrólogos mantidas pelo Estado, com bolsas para os estudantes. Seu interesse pelas estrelas era tão grande que foi comparado ao astrólogo da fábula que, com os olhos no céu, cai desastradamente num poço. O astrólogo Trasíbulo, seu amigo íntimo, disse-lhe que ele morreria pela espada dos bárbaros. O imperador ficou lisonjeado de início, porque desejava uma morte guerreira e digna de um imperador. Depois, pôs-se a dissertar, para demonstrar que todos os grandes homens tinham perecido de morte violenta, citando Alexandre o grande, Pompeu, César, Demóstenes e outros personagens insignes que não tinham morrido pacificamente. Exaltou-se a ponto de julgar-se comparável aos deuses se morresse na guerra. Mas a predição cumpriu-se apenas em parte, pois morreu sob a espada de um soldado romano durante um motim… Era bem intencionado, tratou bem os cristãos, mas não tinha apoio político e militar.

2
jul

Joan Quigley, a astróloga de Reagan

   Publicado por: Bira Câmara  em Política

reaganEm maio de 1988, a imprensa americana sur­preen­deu o mundo ao revelar que o gover­nante da nação mais poderosa do planeta di­rigia todas as suas ações baseando-se nos conselhos de uma astróloga. O autor da revelação que es­candalizou os comen­taristas políticos foi o ex-chefe de pessoal da Casa Branca, Donald Regan. Seu an­te­cessor no cargo, Michael Deaver submetia-se às inter­venções de Nancy Reagan, colaborando nas modi­ficações contantes dos horários do presidente sugeridas pela sua astróloga particular Joan Quigley. O assessor não concor­dava com isso e “considerava extrema­mente humilhan­te para a presidência recorrer a algo tão tolo como a astrologia”. A revelação provocou um frenesi na mídia, que pintou a Casa Branca como um verdadeiro hos­pício e ridicularizou o casal Reagan. Nancy ficou enfurecida com a traição do seu segredo por Donald, mas ele se defendeu dizendo que não teve outra escolha senão revelar a verdade. “Minha descrição da vida da Casa Branca durante meu período como chefe de pessoal teria feito pouco sentido se eu omitisse isto”, escreveu Regan, num comentário sobre as memórias de Nancy.

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7
jun

Juliano, o Imperador do Sol

   Publicado por: Bira Câmara  em História

juliangold1Juliano, o Apóstata, foi imperador romano de 361 a 363. Quando nasceu, como todos os grandes imperadores, também teve o seu destino brilhante predito por um astrólogo, Theophille Melos, bispo de Alexandria. No seu curto reinado tentou reinstaurar o paganismo e revitalizar o culto aos deuses greco-romanos, ligando-os ao platonismo. Viveu cercado por filósofos, magos, astrólogos e adivinhos. Stephanus Mehebum, médico e astrólogo, foi quem lhe ensinou astrologia, na sua juventude. O próprio Juliano costumava levantar e interpretar horóscopos. Máximo de Éfeso, um dos últimos hierofantes da religião pagã, foi seu preceptor e conselheiro. Segundo cronistas da época, ele teria convencido Juliano de que o espírito de Alexandre reencarnara nele.

Leu os grandes filósofos pagãos, principalmente Platão, e os neoplatônicos como Celso, Jâmblico e Porfírio. Como o cristianismo tornara-se a religião oficial do império e o paganismo era então perseguido, Juliano teve de esconder a sua veneração pelos deuses antigos, até chegar a ser de fato imperador, em 361. Ler texto completo »

27
mai

Sirius, a estrela dos reis

   Publicado por: Bira Câmara  em Mitologia

alexandrastrologos-web

Alexandre consulta os seus astrólogos sobre um eclipse do sol, depois da batalha de Arbela. (Extraído da obra “Livres des Fais d'Alexandre le Grant”, de Curtius Rufus Quintus; impressa entre 1468 e 1475. Fonte: British Library Images Online)

Quando Alexandre o Grande conquistou o Egito, depois de um assédio de seis meses ao porto de Tiro, a tomada da cidade coincidiu com a data astronômica da ascensão da estrela Sirius, ausente do céu durante um longo período. Ao reaparecer no horizonte oriental, Alexandre interpretou a efeméride como um anúncio de que em breve usaria a tiara dos Faraós. Por causa disso, ele modificou o calendário grego para que o momento do nascer de Sirius marcasse o começo do ano novo como era feito no Egito.

Alexandre foi retratado em inúmeras esculturas e pinturas com uma estrela brilhando sobre a cabeça, um evidente símbolo astrológico de Sirius, o astro que preside o destino dos reis segundo os egípcios e caldeus, que a chamavam de Sarrus, o rei ou o “senhor dos céus”.

Os antigos consideravam Sirius o Sol central da Via Láctea e o poeta Manilius referiu-se a esta estrela como “um Sol distante para iluminar corpos distantes”. Ela é o centro de gravidade de nossa constelação, e considerada por muitos astrólogos na interpretação do mapa como “o Sol do Sol”; e dado que o Sol no mapa significa o Ego, o centro de identidade pessoal, Sirius significaria o Super Ego, ou o centro mais alto da identidade pessoal. Por isso há astrólogos que acreditam que a conjunção do Sol com Sirius no mapa dos Estados Unidos é responsável pela sua inclinação para se tornar o “inspetor” dos negócios mundiais… Ler texto completo »

3
abr

O astrólogo do califa al-Mamoun

   Publicado por: Bira Câmara  em Astrólogos, Previsões

Faddel ben-Sahal, primeiro vizir do califa al-Mamoun (786-833), gozava de tal consideração desse monarca, que recebeu o título eminente de Doul-riassatéh (possuidor de dois comandos): este título designava o duplo poder que recebera graças a confiança que o califa depositava nele, colocando-o na chefia de todos os negócios do império, tanto civis como militares.

Faddel estava a serviço de al-Mamoun há muito tempo, antes mesmo que este príncipe chegasse ao califado, e conquistara as boas graças de seu patrão não sómente pela sua constante fidelidade, mas também pelos seus admiráveis conhecimentos astronômicos e astrológicos. Ler texto completo »

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