Poetas da Lua e das Estrelas – II

Desde que inseri a matéria “Poetas da Lua e das Estrelas” passei a colecionar poemas sobre o assunto pensando numa nova postagem. Constatei, então, que o tema lua e estrelas é praticamente rotineiro na produção poética romântica, parnasiana e simbolista, e continuou presente até mesmo entre os modernistas. Em pouco tempo consegui reunir um considerável volume de poemas, cuja publicação só seria possível numa coletânea impressa que pretendo publicar brevemente. Por uma feliz sincronicidade, caiu em minhas mãos uma antologia de poetas franceses intitulada… Les Poétes de la Lune! O livro me mostrou que a Lua é tema recorrente na produção poética universal através dos tempos.

A quantidade de acessos ao post “Poetas da Lua e das Estrelas” foi para mim uma agradável surpresa, provando, ao contrário do que muita gente pensa, que a poesia ainda hoje tem muitos leitores e cultores. A rainha da noite sempre exerceu um grande fascínio sobre a imaginação humana, inspirando mitos e crendices populares em todas as culturas do planeta desde a antiguidade. Não é de se espantar, pois, que a sua presença na literatura seja tão marcante.

Na mitologia grega ela tem múltiplas personificações: Hécate, Selene, Febe; entre os romanos era Lucina, que presidia os partos, bem como Diana — a caçadora — e Juno; os egípcios a conheciam como Ísis, enquanto os fenícios a chamavam Astarte e os persas Milita. Depois do Sol, a Lua era a maior divindade do paganismo e tudo indica que até hoje ela mantém esta aura mística, pelo menos entre os poetas que sempre a cultuaram através dos tempos com um fervor quase religioso.

Curiosamente, na poesia, o Sol é relegado quase a segundo plano, aparecendo quase sempre como mero interlocutor da Lua. A quantidade de poemas que têm a Lua ou o luar no título é muito maior do que aqueles que têm o Sol. Uma destas raras produções, de autoria do poeta piauiense Da Costa e Silva, é o “Hino ao Sol”. Esta desproporção é mais do que justificada, devido a tradicional associação da Lua com os poetas e enamorados.

A astrologia, cujo simbolismo tem raízes mitológicas, relaciona a Lua à figura materna, ao lar, à família, à água e ao mar, bem como à imaginação; entre os poetas ela personifica o princípio feminino com suas flutuações de humor e instabilidade, muito bem exemplificado nestes versos de José Maria Velho da Silva:

Fez como a Lua formosa,

Que de formosa seduz;

Quando quer, também faceira

De repente esconde a luz.

Também, como astro noturno por excelência, a Lua está sempre presente nas divagações poéticas, seja como musa, companheira ou confidente. A melancolia, o spleen dos românticos frequentemente tem a noite enluarada como pano de fundo.

A lua acabou representada como astro da saudade e prestou-se ao ufanismo patriótico; assim, o poeta romântico português João de Lemos (1819-90) exalta, saudoso, o céu de sua pátria em contraposição ao “plúmbeo céu” de Londres, queixando-se à Lua:

Eu e tu, casta deidade,
Padecemos igual dor,
Temos a mesma saudade,
Sentimos o mesmo amor;
Em Portugal o teu rosto
De riso e luz é composto;
Aqui triste e sem clarão;
Eu lá sinto-me contente,
E aqui lembrança pungente
Faz-me negro o coração.

Este poema, intitulado A Lua de Londres, serviu de modelo a muitas produções de cunho ufanista e patriótico, como algumas obras de Casimiro de Abreu e Antonio Nobre.

Como eu já observei na postagem anterior, os poetas da antiguidade cantaram a Lua, mas o fizeram sobretudo para celebrar nela a divindade mitológica múltipla e diversa: Febe — chama noturna do mundo —, Diana — a caçadora —, Hécate — guardiã dos infernos —, Lucina — que ajuda as mães a pôr filhos no mundo. Mas no século XVI, curiosamente, quando a astrologia estava incorporada a quase todas as áreas do conhecimento, poemas que tratassem da Lua e de suas influências eram muito raros. No século XVII eram mais raros ainda, como se tivesse acontecido um verdadeiro eclipse da Lua na literatura. A partir do século XVIII, principalmente na literatura francesa, essa temática cativou os poetas a tal ponto que poesias falando da Lua e das estrelas se tornaram cada vez mais comuns. Foi como se elas se levantassem de novo com um brilho inesperado sobre a poesia.

Quanto mais avançou o conhecimento científico nos séculos XIX e XX, mais o fascínio pelo astro da noite impressionou a imaginação dos poetas e seresteiros.

Entre os poetas românticos brasileiros, Álvares de Azevedo é — talvez — o mais lunar de todos; sua poesia é permeada intensamente pelo clima melancólico, pelo spleen das noites de luar:

Eu amo a lua pálida, alta noite,
Quando tudo é silêncio

Alphonsus Guimaraens, Cruz e Souza, e Augusto dos Anjos também fazem parte deste time, sem esquecer Bilac, o poeta das estrelas por excelência:

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

Hoje em dia muitos cientistas reconhecem a influência da lua no comportamento humano e em muitas grandes cidades americanas a polícia e o corpo de bombeiros ficam mais alertas nas noites de lua cheia, devido ao aumento da violência, de incêndios e de acidentes. A psiquiatria também já percebeu que os loucos ficam mais agitados nestas ocasiões. Mas tudo isso os poetas já sabiam:

Ela surge. E a loucura começa. E começa
A girar pelos céus, em turbilhões medonhos,
A ronda funeral dos fantasmas tristonhos,

Estes versos são de Affonso Lopes de Almeida, que em seguida conclui:

Ei-la, que aos altos céus calada ascende aos poucos,
A Lua, o astro infeliz, dos poetas e dos loucos,
Foco de estranha luz de ocultos malefícios.
A Lua, que fecunda o ventre das mulheres.
Que faz erguer do Mar as ondas rosicleres.
E uivar os cães na rua e os doidos nos hospícios…

Um após outro, os poetas de todas as escolas se superaram compondo elegias e elaborando metáforas que beiravam o absurdo e o surreal, como Guerra Junqueiro:

Deus golpeia a aurora p’ra dar sangue às rosas
Deus ordenha a lua p’ra dar leite aos lirios!…

Ou como Nuto Sant’Ana:

Amo-te, ó inspiradora errante das guitarras,
Dos chorosos violões de som dolente,
Tuberculosa que do céu escarras
Níveo catarro de uma luz albente!

A Lua, como personificação da mulher, muitas vezes desperta no poeta o ciúme pelo seu comportamento evasivo e inconstante. Mas o quê dizer quando o seu rival é… uma estrela?

Vem ó lua, contar-me as tuas dores,
Teus segredos d’amor: deixa um instante
Essa louca estrelinha rutilante,
Que desdenha cruel os teus amores.

Em pleno século dezenove estes versos de Elisiário Pinto não escandalizaram ninguém, talvez porque sua obra tenha passado despercebida…

O universo dos poetas da Lua é habitado pelas mais descabidas metáforas e pelas mais absurdas visões. Mas nada se compara à poetisa fluminense Delfina Benigna (1791-1857), cega desde a idade de 20 meses, que compos um soneto à Lua que nunca viu:

Vinte vezes a lua prateada
Inteira o rosto seu mostrado havia,
Quando um terrível mal, que então sofria,
Me tornou para sempre desgraçada,
De ver o céu e o sol sendo privada,
Cresceu a par comigo a mágua ímpia;

 * * *

As estrelas também aparecem na produção poética com frequência igual ou até maior do que a própria Lua, e não é por acaso que o célebre soneto de Bilac tornou-se, talvez, o mais conhecido e declamado da língua portuguesa:

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pátio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

 Até Machado de Assis, quem diria, falou dos astros num de seus sonetos (“Círculo Vicioso”), sem abrir mão de sua habitual ironia.

O planeta Vênus, popularmente conhecido como estrela d’Alva ou Vésper, sempre gozou da estima dos poetas, que foram buscar na mitologia os atributos que a celebrizaram como estrela do amor. Poemas dedicados a ela, bem como metáforas e citações permeando os mais diversos poemas, são tão abundantes quanto composições referentes à Lua.

“A Freira”, de Junqueira Freire praticamente resume todos os atributos de Vênus:

(…) a estrela vésper
Influi nas almas lascivo ardor:
Que, não sem causa, no tempo antigo,
A estrela vésper chamou-se — Amor.
A estrela vésper produz nas virgens
Estranho incêndio, vulcão fatal:
Quer seja freira — do Cristo filha,
Quer seja antiga pagã vestal.
A estrela vésper… Fugi, meninas,
Fugi dos raios do seu candor.
A estrela vésper influi volúpia,
A estrela vésper chama-se — Amor.

A musicalidade do poema sugere lascívia, magia, sensualidade, que acometem “a pobre freira” que da sua cela contempla a estrela.

No cancioneiro popular, Vênus também inspirou um dos maiores sucessos do carnaval carioca, “As Pastorinhas” de João de Barros e Noel Rosa:

A estrela-d’alva
No céu desponta
E a Lua anda tonta
Com tamanho esplendor
E as pastorinhas
Pra consolo da Lua
Vão cantando na rua
Lindos versos de amor

Já a estrela Sirius, que não foi tão cultuada, mereceu um longo poema de Bernardo Guimarães; nele o escritor demonstra conhecimento astronômico ao discorrer sobre a canicula que assolou o Rio de Janeiro em sua época. A crença popular, desde a antiguidade, atribuía a esta estrela, da constelação do Cão Maior, a causa do calor intenso:

Sirius, tu que és a estrela mais formosa
Do cristalino assento,
A jóia mais brilhante que se engasta
No azul do firmamento,
Por que tanto flagelas com teus fogos
A triste humanidade?
De um povo que em suores se derrete
Por que não tens piedade?

* * *

Os românticos e parnasianos consagraram a lua como o astro dos loucos, dos boêmios, dos poetas e dos enamorados, mas com o advento dos modernistas a postura de respeito e veneração dá lugar à irreverência. Assim, no célebre poema de Manuel Bandeira, Satélite, a lua é reduzida a “coisa em si”, embora ele não deixe de lhe declarar amor. Já Ledo Ivo, deixando de lado o tom elegíaco, se queixa à ela:

Em vão te faço poemas.
Não prestas mesmo, és sórdida.
Só gostas do que é ruim.
Eu te faço coisas loucas
mas só gostas das cantigas
dos bêbedos que te possuem.

Estrelas e cometas, também abundantes nos versos dos poetas parnasianos, passam a ser despojados de metáforas e alegorias. O próprio Bilac (autor de um soneto intitulado Os Cometas, que foi muito elogiado por Mário da Silva Brito) já havia satirizado em versos o fracasso da previsão de uma chuva de estrelas pelo astrônomo Luiz Cruls, em 1899:

Venham estrelas, estrelas,
Caiam nas ruas, nas salas,
Que Deus não possa contê-las
Que ninguém possa contá-las.

Em 1924 Juó Bananere não só parodiou o célebre poema de Bilac — Ouvir Estrelas —, com seu hilário dialeto ítalo-paulistês, como ainda comparou a lua a um queijo suiço na “gançonetta” Ao luar:

Si a lua nace
Atraiz da gaza du Mauriço,
Mais parece un quejo suisso
Pelo çeu adisparado.
Ai che vuntade di cumê illa intirigna
Bê mixida cun farigna
I misturada cun melado

Entre as incontáveis produções inspiradas pela Lua no seresteiro popular não poderíamos deixar de lembrar Catulo da Paixão Cearense com o seu Luar do Sertão, que tem atravessado o tempo e há um século encanta as multidões. Aqui, como em A Lua de Londres, a saudade junta-se ao ufanismo doméstico:

Este luar cá da cidade
Tão escuro
Não tem aquela saudade
Do luar lá do sertão

Outro sucesso é a marcha carnavalesca de Lamartine Babo, de 1933, Linda Morena:

Linda morena,
Morena,
Morena que me faz sonhar
A Lua cheia
Que tanto brilha
Não brilha tanto quanto o teu olhar…
Orestes Barbosa, em charge de Nássara
Orestes Barbosa, em charge de Nássara

Entre os poetas brasileiros do século vinte, nenhum outro teve o seu nome tão associado à estrelas e à Lua quanto Orestes Barbosa. Poeta admirável, de versos aclamados por Hermes da Fonseca e Agripino Grieco, ficou eternizado na memória popular como letrista de sambas e canções de enorme sucesso. Quem não conhece “Chão de Estrelas”?

A porta do barraco era sem trinco.
E a Lua, furando nosso zinco,
Salpicava de estrelas nosso chão…
E tu pisavas os astros, distraída,
Sem saber que a ventura dessa vida
É a cabrocha, o Luar e o Violão…

O próprio Manuel Bandeira reconheceu-o como “grande poeta da canção” e declarou que Orestes foi o autor do verso mais lindo de nossa língua: “Tu pisava os astros distraída”.

A Lua e as estrelas aparecem com frequência em suas letras e poemas, evocando imagens de rara beleza plástica como esta:

No chão vejo desenhos de luar
Que louco anda pintando uma aquarela
Com as ramagens das flores do lugar.

Ou ainda:

Os fios telegráficos da rua
São curiosas pautas musicais
Onde, em noites nostálgicas de Lua,
As estrelas são notas musicais…

Quando se pensa que tudo o que a imaginação dos poetas poderia inventar em relação à Lua e às estrelas foi esgotado e não há mais nada de novo a dizer, sempre acabamos surpreendidos com alguma pérola saída da lavra de um novo poeta. O tema é inesgotável e nada consegue desbancar a Lua de seu papel de musa inspiradora dos poetas e seresteiros.

Mesmo depois que o homem pisou nela, o fascínio pela Lua não diminuiu; apenas perdeu as conotações mitológicas do passado e o lirismo dos românticos, como neste poema de Millôr Fernandes:

São Cristóvão deposto na Terra
São Jorge deposto na Lua
Discos na Terra
Módulos na Lua.
E, súbito, os astronautas são os argonautas
De uma mitologia cibernética
Onde isótopos, relês, meteoritos,
Empuxo, propulsão, subsistem,
Com refeita eloquência
Os nomes destronados do Lépido-sereia
Minotauro, Digongos, Duríades, Salamandras,
Hipógrifos e Unicórnios,

Mas a modernidade e o progresso científico, que aceleradamente desvendam os mistérios do universo, não conseguiram apagar o fascínio exercido pela Lua no imaginário dos poetas e seresteiros. Para eles, e para os enamorados, ela continuará a ser a rainha da noite e a musa inspiradora da poesia.

Bira Câmara

Bibliografia:

Alberto de Oliveira, “Os Cem Melhores Sonetos Brasileiros”, Ed. Freitas Bastos, 1941
Alberto de Oliveira, “Páginas de Ouro da Poesia Brasileira”, Ed. Garnier, 1911
Fernandes Costa, “O Eterno Feminino”, Ed. Allaud e Bertrand, n/d
Laudelino Freire, “Sonetos Brasileiros ” (Coletânea, séculos XVII-XX), F. Briguet, 1913
Manuel Bandeira, ” Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana”, M.E.C., 1940
Manuel Bandeira, “Poesias Escolhidas”, Pongetti, 1948
Manuel Bandeira e Edgard Cavalheiro “Obras Primas da Lírica Brasileira”, Livr. Martins, 1943
Mário da Silva Brito, “História do Modernismo Brasileiro”, Civilização Brasileira, 1971
Massaud Moisés, “A Literatura Portuguesa Através dos Textos”, Cultrix, 1972
Millôr Fernandes, “Trinta Anos de Mim Mesmo”, Editorial Nórdica, 2a. Edição
Olavo Bilac, “Poesias”, Francisco Alves, 1942
Orestes Barbosa, “Chão de Estrelas”, Poesias Escolhidas, J. Ozon Editor, 1965
Péricles Eugênio da Silva Ramos, “Poesia Romântica” – Antologia, Melhoramentos, 1965
Péricles Eugênio da Silva Ramos, “Poesia Simbolista” – Antologia, Melhoramentos, 1965
Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, “O Livro de Ouro do Universo”, Ediouro, 2002
Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, “O rastro do Cometa”, Editora JB, 1985
Ruth Guimarães, “Dicionário da Mitologia Grega, Cultrix, 1995
Silveira Bueno, “História da Literatura Luso-Brasileira”, Saraiva, 1968
Tassilo Orpheu Spalding, “Dicionário da Mitologia Latina”, Cultrix, 1982
 

2 comentários em “Poetas da Lua e das Estrelas – II

  • 24 de abril de 2013 em 7:03 pm
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    Olá Pessoal!! Adorei o site! Gostaria de divulgar nosso trabalho. Damos vida a pequenas criaturinhas como duentes, gnomos, balins, bruxinhas etc. Dê uma olhada em http://migre.me/eg4bF

  • 5 de março de 2017 em 2:43 pm
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    Adorei a matéria
    Vai aí mais uns versos:

    …Quando a lua cheia, atrás da nevoa, se esconde É porque, nela, oculta o festival das fantasias Lá não tem príncipes, mas tem zarolhos condes
    Dançando com as corcundas entre as nuvens macias…

    xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

    Borboletas flamejantes brincavam de frente à lua
    Esperando por um beijo glacial que as libertasse
    Da última veste densa, revelando as almas nuas
    Rútilos breves colorindo de inesperado o desenlace

    xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

    Nos pilares da magia estendeu a tenda Com retalhos da noite em seda fluida Iluminou-a pintando milhões de estrelas De picadeiro fez o disco da lua

    xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
    Do breu, criou para a dama, um vestido sinuoso
    Depois, cingiu-lhe com estrelas, a cintura perfeita
    E desejando aumentar –lhe o efeito glamuroso
    Fez para a amada uma joia da opalina lua cheia

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