Pedro Nunes, astrólogo?

Pedro Nunes (1502–1578), notável matemático e astrônomo português, referiu-se à astrologia apenas uma vez no seu livro De crepusculis (1542) como uma “crendice vã e já quase rejeitada que emite juízos sobre a vida e a fortuna”. No entanto, atribui-se a ele uma predição astrológica relacionada ao reinado do célebre D. Sebastião.

Em 1568, quando o príncipe, de quem era tutor, completou catorze anos, a Rainha Regente D. Catarina d’Áustria resolveu entregar-lhe o governo de Portugal. Alguns dias antes da realização da cerimonia da posse do novo Rei, Pedro Nunes dirigiu-se à Regente para a prevenir de que a posse do neto deveria ser retardada, porque no dia escolhido os astros estariam em “posição de mau agouro”. Por causa disso, se EI-Rei começasse a governar nesse dia, o seu reinado “seria instável, cheio de inquietações e de curta duração”.

Mas D. Catarina argumentou que já não era possível transferir a cerimônia para outra ocasião, porque os preparativos já estavam feitos. Ao que Pedro Nunes retrucou: “Vejo que são inevitáveis os trabalhos deste reino da parte dos quais Vossa Alteza será testemunha ainda que não dou remate deles!”

Este incidente é contestado por alguns autores que o consideram uma deturpação do episódio sucedido quando D. Duarte subiu ao trono. Lenda ou não, o visionário D. Sebastião, que se julgava destinado por Deus a espalhar pela Mauritânia o domínio de Portugal e o Cristianismo, terminou seus dias numa cova rasa e em lugar desconhecido, “sem uma cruz a indicar que jaz ali um Cristão, sem uma coroa a indicar que jaz ali um Rei”.

Pedro Nunes morreu em 11 de Agosto de 1578, alguns dias depois da tragédia de Alcácer Quibir, em que D. Sebastião pereceu.

Fonte: Gomes Teixeira, Pedro Nunes e a Astrologia, Ciência em Portugal (Centro Virtual Camões, http://www.instituto-camoes.pt/cvc)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.