Jerônimo Cardan (1501-1576), foi um dos mais célebres astrólogos italianos de sua época. Além de ter sido médico notável e um dos maiores matemáticos do seu tempo, dedicou-se também a estudos de mecânica aplicada. Inventou um sistema de suspensão, que leva o seu nome, que permitia neutralizar o movimento das ondas do mar nas bússolas dos navios.
Na obra intitulada “Vita propria”, Cardan contou sua vida e descreveu uma existência infeliz do começo ao fim. Segundo suas próprias palavras, nasceu sob “má estrela”, fruto dos amores ilegítimos de seu pai, um notável jurisconsulto, matemático e médico. Quando ficou grávida, sua mãe fez de tudo para abortá-lo. Formou-se médico em 1524, mas não conseguiu fazer fortuna nesta profissão devido ao vício do jogo e da libertinagem. Em Milão, acabou ganhando a vida como professor de matemática e, sobretudo, astrólogo. Mas, teve a infelicidade de fazer uma previsão que abalou sua reputação como astrólogo, ao registrar que o rei Eduardo VI teria vida longa. Para seu azar, o rei morreria algumas semanas depois, fato que o marcou profundamente. Ler texto completo »
Evangeline Adams (1865-1932), foi a primeira astróloga americana a tornar-se popular. Americanos de renome e visitantes europeus a consultavam no auge de sua fama. Quando chegou a Nova York, disse ao gerente do hotel onde se hospedou que ele se encontrava debaixo de uma combinação planetária muito perigosa e na mesma noite o hotel se incendiou, provocando a morte da esposa e outros parentes. Ler texto completo »
Publicado por: Bira Câmara em Pílulas
O ofício de astrólogo e adivinho era dos mais arriscados na Antigüidade, pois os poderosos não costumavam perdoar as profecias acertadas, quando anunciavam desastres, nem quando falhavam, se previam sucessos.
- Nabucodonosor, rei da Babilônia, mandou executar todos os adivinhos porque não conseguiam interpretar um de seus sonhos.
- Na Atlântida, segundo a lenda, seus habitantes executaram os adivinhos que previram a destruição do continente.
- Já o profeta Isaías acabou executado por Manassés, por ter anunciado a destruição de Jerusalém.
Vespasiano, imperador romano de 69 a 79, proibiu os astrólogos de pisar território italiano, só fazendo exceção para Barbílio, a quem consultava. Desde a infância teve a convicção de que seria imperador um dia, devido a inúmeros presságios. Quando veio ao mundo, um arúspice anunciou à sua avó “que lhe nascera um neto que seria César”.
Tinha tal segurança no seu horóscopo e no de seus filhos que não se preocupava com as freqüentes conspirações tramadas contra ele. Chegou a declarar no Senado “que a não ser seus filhos, ninguém mais o sucederia”. Suetônio conta que Vespasiano viu, em sonho, “uma balança em perfeito equilíbrio, tendo, num dos pratos Cláudio e Nero, e no outro ele e seus filhos”. E, por incrível que pareça, reinaram ambos os lados durante o mesmo número de anos.
Pouco antes de morrer, acometido de séria doença, o imperador teimava em levar vida normal, dedicando-se às tarefas do Estado, apesar do alerta dos médicos. Ao que ele respondia: “É preciso que um imperador morra em pé”. Quando ouviu murmúrios de seus cortesãos a respeito da passagem de um cometa, que segundo a crença popular anunciava a morte do imperador, teria dito: “Este cometa cabeludo não tem nada a ver comigo. Ele ameaça o rei dos partas que é cabeludo; eu sou careca!” Não lhe faltava senso de humor: aos primeiros sintomas de sua doença, antevendo a própria morte declarou: “Ao que me parece, começo a ser deus”.
Humberto I (1844-1900), rei da Itália, não teve nada a ver com a astrologia, mas sua vida até hoje é lembrada pelos astrólogos, para ilustrar um caso de “gêmeos astrais”. Conta-se que ele foi apresentado a um súdito que tinha muita semelhança física com ele. Depois de uma investigação, soube-se que este homem tinha nascido no mesmo dia e na mesma hora que o Rei, casara com uma mulher com o mesmo nome da Rainha e ambos tinham um filho chamado Vitório. Não bastasse isso, o súdito começara seu negócio no mesmo dia em que o Rei assumira o trono.
Quando estava em Monza, Humberto soube que aquele homem tomaria parte num torneio de tiro no qual ele faria a entrega dos prêmios e manifestou o desejo de encontrar-se novamente com o seu sósia.
Mas, perto da hora do encontro, o Rei foi informado que o sósia morrera num disparo acidental ao limpar a arma. E antes que pudesse chegar à cena do acidente, o próprio Humberto foi assassinado por um anarquista.
Rhaeticus, Georg Joachim, nascido em 1514, foi o astrólogo discípulo de Copérnico a quem foi confiada a publicação de sua obra. Anexou ao sistema astronômico do mestre suas próprias predições e, no seu livro Narratio Prima, tentou provar que a data da segunda vinda de Cristo dependeria das variações de excentricidade da órbita terrestre. Deu também a estimativa da duração do mundo, seis mil anos, de conformidade com a profecia de Elias.
Na sua obra, “Os Sonâmbulos”, Arthur Koestler descreve-o como “enfant terrible e doido inspirado”, além de ser homossexual. Como Giordano Bruno e Paracelso, era uma espécie de “cavaleiro errante da Renascença” e desempenhava a mais admirada função de qualquer homem do século dezesseis: professor de Matemática e Astronomia.
A respeito de Rhaeticus, Kepler contou uma anedota interessante. Quando estava empenhado em decifrar as excentricidades da órbita de Marte, paralizado pela perplexidade e pela tensão, apelou, em último recurso, como oráculo, ao seu anjo da guarda. O indelicado espírito agarrou Rhaeticus pelos cabelos e lhe bateu repetidas vezes a cabeça contra o teto; depois, largou o corpo que foi bater contra o soalho. E ao fim deste tratamento, acrescentou: “eis os movimentos de Marte”. A piada pode ter um fundo de verdade e é bem possível que Rhaeticus, perturbado por uma especulação sem saída, se ergueu, furioso, e bateu a cabeça contra a parede…