Publicado por: Bira Câmara em Pílulas

Não procures no céu o teu futuro! No teu coração estão as estrelas do teu destino.
“Vaidade da Astrologia”, Basiléia, 1497
(A frase “No teu coração estão as estrelas do teu destino” é atribuída a Schiller, por André Barbault em “O conhecimento da Astrologia”.)
Tudo está pleno de sinais e o sábio conhece uma coisa pelos indícios que recebe de outra.
Plotino
Não há nada no mundo que não tenha seu momento decisivo, e a obra-prima da boa conduta consiste em não deixá-lo passar.
Cardeal de Retz
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Publicado por: Bira Câmara em Teatro
Em meados do século XVII, a astrologia já não gozava do mesmo prestígio que teve na Idade Média e Renascença entre o público letrado.
Com a fundação da Academia das Ciências na França em 1666, Colbert (ministro das finanças de Luís XIV) excluiu a astrologia das disciplinas oficialmente reconhecidas, sob a alegação de que não tinha fundamento científico. Este evento marcou o descrédito da astrologia no mundo acadêmico e, logo em seguida, os países católicos retiraram a cadeira desta matéria das suas universidades. Ler texto completo »
A História registra muitos casos de astrólogos que pagaram com a vida ou prisão a audácia de predizer infortúnios aos poderosos. E o pior é que muitas vezes seus nomes nem são lembrados pela posteridade…
Estas anedotas são tão parecidas que nos levam a duvidar se aconteceram de fato ou se são lendas recriadas ou recontadas mudando-se personagens e cenários, como esta: Ler texto completo »
A Lua, Vênus (estrela Vésper) e as estrelas são temas recorrentes na produção poética através dos tempos.
Os poetas da antiguidade cantaram a Lua, mas o fizeram sobretudo para celebrar nela a divindade mitológica múltipla e diversa: Febe – chama noturna do mundo -, Diana – a caçadora -, Hécate – guardiã dos infernos -, Lucina – que ajuda as mães a pôr filhos no mundo. Ler texto completo »
Albrecht Dürer (1471-1528), célebre pintor e gravador alemão, gozou do apoio e proteção de vários soberanos, como os imperadores da Alemanha Maximiliano I¹, de Habsburgo, Fernando I, e o rei da Espanha e Alemanha Carlos V², que lhe deu um título de nobreza e fez dele o seu pintor oficial. Foi amigo de personalidades nos mais diversos campos de atividade: Erasmo, Lutero, Leonardo da Vinci e Ticiano. Uma de suas obras mais conhecidas e enigmáticas é a famosa Melencolia, repleta de simbolismo alquímico e astrológico. Há quem veja nela a representação da passagem de uma era para outra, dos Peixes para o Aquário. Na gravura, datada de 1514, vê-se um cometa ao fundo por trás de um arco íris; sem dúvida o artista reproduziu o cometa que viu passar durante os anos de 1513-1514. Como o astro se inclina para a Balança, um de seus significados pela conotação de prenúncio de calamidade é o de Fim dos Tempos, pois este signo se relaciona com o Juízo final. Na parte direita da gravura, uma ampulheta sobre um Quadrante Solar representa a precipitação dos eventos do período final do ciclo terrestre, enquanto a escada de sete degraus poderia simbolizar os Sete Milênios, as idades do mundo. A palavra Melencolia, bem como a Virgem pensativa, reforça a conotação de ocaso presente na obra; o temperamento melancólico é o último dos quatro temperamentos da medicina tradicional de Hipócrates e corresponde analogicamente à Idade de Ferro. O cometa, astro de fogo, simboliza o Sol da Justiça que provocará a completa renovação do mundo ao incendiar a Terra, destruição que assinalaria também o advento de um novo ciclo terrestre, uma nova Idade de Ouro. A riqueza simbólica da obra de Dürer tornou-o uma figura lendária, e muitos acreditam que o artista teria sido um verdadeiro iniciado nos misterios alquímicos.
NOTAS:
- Maximiliano I, de Habsburgo (1459-1519), subiu ao trono da Alemanha em 1493. Alquimista e adepto da astrologia, foi cognominado o Rei Branco (um título obviamente iniciático) e o Último dos Cavaleiros. É considerado também um dos pioneiros da ideia da unidade européia.
- Carlos V (1500-1558), rei da Espanha em 1516 e imperador da Alemanha em 1519, tornou-se senhor de extensos domínios: além da Espanha e suas colônias, seu império abrangeu uma parte da Itália, Flandres, Áustria. Sonhou tornar-se senhor do mundo mas teve de lutar contra o rei da França (Francisco I), contra os luteranos na Alemanha e contra o sultão dos Otomanos. Impedido de realizar seu projeto, cansou-se do poder e abdicou em 1555, retirando-se para um mosteiro na Espanha.
FONTES:
- Gérard de Séde, “O Estranho Mundo dos Profetas”, Hemus Ed., 1984
- Dicionário Prático Ilustrado, Lello & Irmão Ed., Porto, 1959
Segundo o estudioso argentino Dr. Carlos Raitzin, como astrólogo “o maior mérito de Morin e um dos seus mais consideráveis êxitos foi reconstituir os restos deformados de uma venerável Tradição Astrológica que ele recebeu exatamente na forma que correspondia, separando com tanto gênio e precisão o joio do trigo. Os excessos fantasistas dos árabes haviam desembocado na Idade Média européia com uma Astrologia grotescamente ‘enriquecida’ de quantos elementos imaginários se poderia imaginar.” Ler texto completo »
Os antigos romanos davam tanta importância aos vaticínios e oráculos que uma profecia anunciada na fundação de Roma causou mal estar aos imperadores, às classes letradas e ao povo ao longo da História, cumprindo-se no tempo previsto com pequena margem de erro. Ler texto completo »
Mesmo considerada uma atividade marginal e desacreditada no século XX, ainda assim a astrologia continuou a seduzir os governantes. No Brasil, sabe-se que Getúlio Vargas era cliente de Demétrio de Toledo, que havia sido cônsul brasileiro em Paris e estudado com o astrólogo Don Neroman. Autor do livro “Eis a Astrologia”, publicado em 1943, formou e ensinou astrólogos, além de ministrar curso de Astrologia por correspondência e editar a revista Sombra e Luz, entre 1934 e 1937. Na Argentina, o astrólogo Lopes Rega, de triste memória, foi secretário particular de Perón e tornou-se até ministro de Estado… Ler texto completo »