O Duque de Wallestein (1583-1634), célebre guerreiro alemão, general do rei Fernando II durante a guerra dos Trinta Anos, foi um fervoroso adepto da astrologia.
Quando contava vinte e cinco anos de idade, encomendara o seu horóscopo a Kepler, por um intermediário, e este lhe havia predito um destino brilhante. Em 1624, dezesseis anos depois, e desta vez sem ocultar sua identidade, voltou a encomendar-lhe outro horóscopo. Kepler fez previsões para o espaço de dez anos, parando em 1634, com a profecia de que “Marte trará espantosas descobertas no país”. O duque foi assassinado em 25 de fevereiro daquele ano…

João Batista Seni, diante do cadáver de Wallestein (Quadro de C. v. Piloty, Nova Pinacoteca de Munique)
Ambicioso, planejara tornar-se rei de um principado independente da coroa, o que lhe valeu ser declarado traidor e morto pelos seus próprios soldados. Foi um dos maiores fanáticos pela astrologia e, segundo a língua ferina de Voltaire, acreditava que o zodíaco havia sido feito única e exclusivamente para ele. Não empreendia uma batalha ou começava nada, sem ter consultado antes as configurações astrais. Tinha como chefe de seu conselho celeste o astrólogo italiano João Baptista Seni, a quem dera um coche com seis cavalos, e pagava-lhe um ordenado de vinte mil libras. Mas, este adivinho não conseguiu prever que o duque de Wallestein seria assassinado por ordem do rei e que ele, Seni, teria que voltar a pé para a Itália… Pior mesmo é que, como se encontrava presente na casa do duque no momento do assassinato, foi implicado no processo aberto para investigar a morte do caudilho e passou por maus bocados até ser considerado inocente.









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