O cometa do Descobrimento do Brasil

A descoberta do Brasil, em 21 de abril de 1500, coincidiu com o aparecimento de um cometa de longa cauda na constelação de Aquário.

A esquadra de Cabral, composta de treze navios, iniciou sua viagem para a descoberta do Brasil ao amanhecer de 9 de março de 1550, uma segunda-feira. Dessas treze naus, uma desapareceu antes de atingir a costa brasileira e outras quatro afundaram no Cabo das Tormentas, depois do descobrimento.

A descoberta do Brasil, em 21 de abril de 1500, coincidiu com o aparecimento de um cometa de longa cauda na constelação de Aquário. Um mês antes ele já havia sido observado por astrônomos chineses e catalogado como tendo brilho de terceira grandeza. Este cometa foi objeto de uma das primeiras observações feitas no Brasil, pelo primeiro astrônomo (e certamente astrólogo) que pôs os pés na nova terra, “mestre” João Faras. Físico, cirurgião, engenheiro e astrônomo da esquadra de Cabral, discípulo do célebre Abrahão Zacutto, foi ele quem determinou a latitude geográfica do local de desembarque, em 27 de abril e fez a primeira descrição detalhada do céu austral, inclusive da constelação do Cruzeiro do Sul.

Mas não houve por parte de mestre João nenhum comentário de mau agouro em relação ao cometa, embora seu avistamento tenha espalhado o medo entre a tripulação da frota. A lembrança da queda de Constantinopla, ocorrida cinqüenta anos atrás, e que fora associada à passagem de um cometa de grande cauda, veio à memória de todos. O naturalista holandês Von Humboldt atribuiu a este astro a responsabilidade pela tempestade que fustigou a esquadra durante vinte dias e afundou quatro naus.

Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.