O astrólogo que nasceu sob uma má estrela

Jerônimo Cardan (1501-1576), foi um dos mais célebres astrólogos italianos de sua época. Além de ter sido médico notável e um dos maiores matemáticos do seu tempo, dedicou-se também a estudos de mecânica aplicada. Inventou um sistema de suspensão, que leva o seu nome, que permitia neutralizar o movimento das ondas do mar nas bússolas dos navios.

Na obra intitulada “Vita propria”, Cardan contou sua vida e descreveu uma existência infeliz do começo ao fim. Segundo suas próprias palavras, nasceu sob “má estrela”, fruto dos amores ilegítimos de seu pai, um notável jurisconsulto, matemático e médico. Quando ficou grávida, sua mãe fez de tudo para abortá-lo. Formou-se médico em 1524, mas não conseguiu fazer fortuna nesta profissão devido ao vício do jogo e da libertinagem. Em Milão, acabou ganhando a vida como professor de matemática e, sobretudo, astrólogo. Mas, teve a infelicidade de fazer uma previsão que abalou sua reputação como astrólogo, ao registrar que o rei Eduardo VI teria vida longa. Para seu azar, o rei morreria algumas semanas depois, fato que o marcou profundamente.

Sua vida familiar também não foi das mais felizes: o filho mais velho, médico como ele, matou a esposa e terminou seus dias nas mãos do carrasco; o segundo filho tinha uma conduta tão desregrada que foi obrigado a mandar prendê-lo…

Cardan era um homem muito religioso, devoto da Virgem e, como bom católico, odiava Lutero. Ao fazer-lhe o horóscopo, “escolheu” uma hora de nascimento de modo a justificar predições desfavoráveis…

Diz-se que fazia parte de uma sociedade secreta e foi um dos primeiros a defender a ideia de um poder político oculto. Sonhava em constituir uma aristocracia do saber que, nos bastidores, aconselharia e dirigiria os governantes pelo conhecimento científico e pela ciência dos astros.

Cardan entrou para o anedotário da astrologia devido às circunstâncias que cercaram sua morte. Segundo o seu discípulo, Scaliger, ele teria se deixado morrer de fome para fazer coincidir a data de seu falecimento com a que havia determinado através de cálculos astrológicos. Outra versão deste fato diz que no dia em que tinha predito a própria morte, sentindo-se forte e bem disposto, suicidou-se para fazer cumprir a predição. Para Serge Hutin, historiador da astrologia, isto não passaria de piada para “ridicularizar um grande homem”.

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