Mais pílulas…

Em 1925 a revista americana “Collier” revelou que uma astróloga chamada Márcia foi chamada várias vezes à Casa Branca, durante a administração do presidente Warren G. Harding, para dar conselhos astrológicos. Ela contou que tudo começou em 1920, quando quatro mulheres desconhecidas foram ao seu consultório e forneceram-lhe as datas de nascimento. Mas a astróloga desconfiou que uma das mulheres havia dado data falsa ou, senão, deveria tornar-se a próxima presidente dos Estados Unidos! Então, a sra. Harding (uma das consultantes) revelou que dera a data de nascimento de seu marido em vez do seu. Depois disso, a astróloga tornou-se conselheira do casal Harding e frequentou assiduamente a Casa Branca, predizendo vários eventos importantes, inclusive a morte  do presidente.

 

John Flamsteed (1646 /1719), o primeiro astrônomo real da Inglaterra, cumpriu o primeiro ato oficial de seu reinado fazendo o horóscopo do Observatório de Greenwich. O cálculo foi guardado e existe até hoje, embora ele tenha anotado o sarcástico comentário: Risum teneatis, amici? (Conseguem conter o riso, amigos?). Em outra ocasião, acabou passando por um expert na arte de adivinhação, quando foi procurado no Observatório por uma velhinha que foi pedir-lhe ajuda para recuperar a posse de alguns bens. Desejando dar-lhe uma lição e fazê-la perder a fé em adivinhos, ouviu gravemente os detalhes do caso e, depois de rabiscar um mapa da casa e de seus arredores, cercando-o com vários símbolos arbitrários, mandou-a procurar num ponto determinado, que ele assinalara aleatoriamente. Pretendia dar uma lição à velhinha quando ela lhe escrevesse para queixar-se de ter procurado em vão. Mas pouco depois, para sua surpresa, a senhora escreveu-lhe para dizer que encontrara os seus pertences no ponto exato em que ele assinalou! Com toda a seriedade, Flamsteed atribuiu a coincidência às artes e malícia do Demônio…

 

Na antiga China acreditava-se que o eclipse era provocado por um dragão que devorava o Sol. Segundo a lenda, há quatro mil anos existiam dois astrólogos imperiais, Hi e Ho, cujos deveres eram bater tambores para afastar o dragão. Mas durante um eclipse em que estavam embriagados descuidaram de suas obrigações, o dragão veio e então o sol foi devorado. O dragão, porém, generosamente vomitou a sua presa, mas o Imperador não foi tão generoso e ordenou que os infelizes Hi e Ho fossem degolados…

 

Durante a primeira viagem de circunavegação do mundo, quando Fernão de Magalhães já se encontrava na metade do tortuoso estreito que leva seu nome, esperou seis dias por um dos seus barcos, o San Antonio, que ficara para trás. Como não aparecia sinal algum do navio, Magalhães ordenou ao seu astrólogo Andreas de San Martín (que no seu barco tinha um status análogo ao de um oficial superior do almirantado moderno) que fizesse o horóscopo do San Antonio, e assim descobrisse o que lhe acontecera. Andreas fez os cálculos necessários e o informou que a tripulação daquele barco se amotinara, aprisionara o capitão e desviara o rumo para a Europa. E foi isso, exatamente, o que havia acontecido…

 

A astrologia era largamente usada pelos nativos do México, antes da chegada dos espanhóis. Os astecas acreditavam que qualquer evento era influenciado pelos hieróglifos que presidiam cada dia, cada semana ou cada ano. A aparição de um cometa no início do século dezesseis levou consternação aos mexicanos; o povo viu-o como sinistro presságio e anúncio de uma grande desgraça. Os inimigos de Montezuma, que então reinava, diziam que era um sinal precursor do fim do império e da tirania. Para acalmar esses temores e provavelmente para acalmar também os seus, ordenou a seu astrólogo explicar essa aparição. O adivinho, que não sabia mais do que as pessoas comuns sobre cometas, deu a mesma opinião que o povo tinha a respeito. Esta infeliz interpretação custou-lhe a vida. Foi condenado à morte por ordem do rei, para aprender a explicar mais politicamente a passagem dos cometas…

 

Béarnais, Henrique IV de França, apesar de zombar das predições astrológicas, faz parte da lista de adeptos da ciência astrológica. No momento do nascimento do Delfim, encarregou o doutor Koch le Bailli, senhor de la Rivière, de fazer o seu horóscopo. E essa operação foi mais tarde recompensada com o título de primeiro médico do rei. O cirurgião que fez o parto, doutor Hérouard, não se esqueceu de mencionar no seu diário que o pequeno príncipe nasceu em 27 de agosto de 1601, na décima-quarta hora da lua nova, às 10:45 hs. Ele relatou, também, que durante a gravidez, a rainha “frequentemente perguntava onde estava a lua, temendo dar à luz uma filha, pois segundo a crença popular as mulheres nascem durante a lua minguante e os homens na lua nova.” Felizmente tudo ocorreu como o esperado e a França, bem como a mãe, puderam rejubilar-se. O capelão do rei e historiador oficial Vittorio Siri, registrou que o recém-nascido recebeu desde tenra infância o sobrenome de justo porque nasceu sob o signo de Balança.

Fontes:

Brewton Berry, Você e Suas Superstições, Ed. Universitária, 1945

Rambosson, J., Histoire des astres, 1877

Rupert T. Gould, Mistérios em la Tierra, Ed. ATE, 1980

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