Luis XI

A autenticidade da maioria das anedotas e histórias de astrólogos e suas predições é quase sempre duvidosa: esses relatos variam de acordo com a crença ou descrença na astrologia por parte de seus autores. Quando o cronista é cético, ele costumeiramente põe em dúvida a veracidade da anedota e procura ridicularizar a figura do astrólogo; se é adepto da astrologia, ocorre o inverso. Não tenho dúvidas de que boa parte do anedotário astrológico foi inventada para denegrir ou enaltecer determinado personagem, ou apenas para desacreditar a astrologia. Mas onde há fumaça, há fogo. Os fatos podem não ter acontecido exatamente da maneira que foram relatadoas pelos cronistas, mas por certo algo de inusitado ocorreu.

Uma das histórias que relatei aqui – o astrólogo que burlou Luis XI – é contada por Charles Duclos na obra Histoire de Louis XI (1745) e repetida quase literalmente em vários livros de história da astrologia. Mas outro dia, por acaso, me deparei com outra versão desse episódio em um site. Infelizmente não há indicação da fonte, o que é uma pena. Abaixo, a transcrição literal do episódio:

“Depois da morte de sua primeira esposa, Margarida da Escócia, Luis XI contraiu matrimônio com Carlota de Savoya, em 1457. Um cronista da época conta que havia na corte um astrólogo, uma espécie de mago, adivinho e alquimista, que gozava da confiança de todos. Chegado o momento, o adivinho vaticinou a Luis que a sua segunda esposa tinha poucos dias de vida. O prognóstico se cumpriu e Luis ficou tão furioso com o astrólogo que mandou os guardas reais buscarem o homem e levá-lo para o alto de uma das torres do palácio. No limite da fúria cega, exigiu que ele então adivinhasse quando iria morrer. O astrólogo se encontrava quase na borda do abismo e sustentado somente pelo braço de um dos guardas. Irônico e jactando-se de seu poder, Luis pediu-lhe que adivinhasse o dia de sua própria morte, supondo que ele responderia que esta aconteceria em breves instantes. Sem hesitar, o astuto personagem deu-lhe uma resposta que não poderia obter melhores resultados: – Morrerei três dias antes de Vossa Majestade.”

Sem dúvida essa versão é mais interessante do que a relatada por Duclos, pois acrescenta uma boa carga de dramaticidade. Mas será que é a verdadeira?

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