Jonathan Swift e Partridge

O imortal escritor inglês Jonathan Swift (1667-1745), autor de “As Viagens de Gulliver”, entusiasta defensor da Razão e inimigo feroz de todas as formas de superstição, acabou produzindo um dos episódios mais hilários da história da astrologia. Em sua época, em plena era do Iluminismo, as classes cultas tinham por moda escarnecer das chamadas “artes divinatórias”.

Havia então na Inglaterra um astrólogo popular, chamado Partridge, que havia caído em desgraça junto à coroa e Swift resolveu pregar-lhe uma peça. Em 1708, usando o pseudônimo de Isaac Bickerstaff, o criador de Gulliver publicou um almanaque de astrologia para concorrer com ele, onde prometia previsões fantásticas, minuciosas e sem a ambigüidade que era a característica dos outros astrólogos. Aproveitou-se do sentimento antifrancês reinante na Inglaterra e logo de saída previu a morte da maioria dos figurões da França, bem como do rival Partridge, que deveria ocorrer no dia 29 de março de 1708.

Evidentemente isto não aconteceu, o que não impediu Bicherstaff de publicar uma manchete com o seguinte título:

Narrativa da Morte do Sr. Partridge, o Escritor de Almanaques, no Vigésimo Nono Instante, numa Carta de um Oficial Recém-Chegado, a uma Pessoa de Honra.

Apesar da réplica furiosa de Partridge, o público recusou-se a acreditar no seu desmentido, mesmo se tratando do próprio morto que não tinha morrido… A predição foi levada tão a sério que o nome de Partridge foi riscado de todos os lugares e ele foi afastado pelo descrédito público até mesmo do exercício de sua profissão. Teve de trocar de nome quando voltou, alguns anos depois, a publicar um novo almanaque. Na época, este episódio levou a astrologia a um descrédito absoluto, afastando dela ainda mais as pessoas cultas.

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