Dieta astral

O famoso astrólogo Rudolf Thurneisen, que viveu em Berlin no século dezessete, foi uma figura verdadeiramente rara e um fenômeno extraordinário em matéria de astrologia horária. Destacou-se também como médico do príncipe de Brandenburgo, químico, redator de almanaques, impressor e livreiro.

Sua reputação de astrólogo era tão grande que não nascia quase nenhuma criança numa família importante da Alemanha, da Polônia, da Hungria, da Dinamarca e até mesmo da Inglaterra, sem que lhe mandassem imediatamente um correio com o horário preciso de seu nascimento. Com frequência chegavam três e até seis ou doze mensagens desse gênero ao mesmo tempo. Por causa disso, acabou tão sobrecarregado de trabalho que foi obrigado a contratar assistentes.

A biblioteca de Berlin guarda volumes inteiros de consultas desse gênero, no meio dos quais se encontra até cartas da rainha Elizabeth. Além disso, ele tinha tempo para escrever anualmente um almanaque astrológico, no qual assinalava, em poucas palavras ou com alguns sinais arbitrários, não apenas a qualidade do ano em geral, mas também os principais eventos e a temperatura de cada dia. Mas, é claro, só explicava suas predições um ano depois de publicadas… Entretanto, por uma boa soma de dinheiro e adulações, confidenciava por antecipação suas profecias.

Não deixa de ser surpreendente a eficácia de um oráculo feito em termos vagos e ao qual muitas vezes o acaso dava um cumprimento feliz. De qualquer forma, durante mais de vinte anos seu almanaque teve um sucesso prodigioso e, junto com outras charlatanices, proporcionou-lhe uma fortuna incalculável para os padrões da época.

Thurneisen enganava as pessoas crédulas receitando uma espécie de “dieta astral” para prolongar a vida, baseado no princípio de que cada homem está submetido à influência de determinada constelação e que cada uma delas, bem como um planeta, tinha correlação com as plantas, os metais, os animais, os povos, edifícios, países, etc. Assim, era necessário saber de que astro ou constelação poderia vir uma enfermidade ou desgraça e, para conservar-se feliz e saudável, bastava consumir bebidas e alimentos colocados sob a influência dos planetas opostos. Evidentemente, há uma contradição nesse princípio, pois se os astros determinam até a duração da vida, como pode ser possível prolongá-la? Os clientes de Thurneisen pareciam não dar muita importância a isso…

Talismãs astrológicos

A crença na correspondência e simpatia perfeita entre os planetas e os metais é antiga. Mas essa idéia retomada por Thurneisen deu origem a uma doutrina inteiramente nova, muito diferente da dos gregos. Se alguém estivesse sob uma constelação adversa que o ameaçasse com uma grave doença ou qualquer outro acidente, bastava deslocar-se a um lugar protegido por um astro tutelar, ou então consumir alimentos e medicamentos que, com o apoio de uma constelação propícia, fossem capazes de neutralizar a influência do astro maléfico. Dessa forma acreditava-se prolongar a vida por meio de talismãs e amuletos.

Com os metais em perfeita relação com os planetas, bastava levar consigo um talismã fabricado com metal adequado, fundido, colado ou gravado sob certas condições para adquirir a virtude abrangente e proteção do planeta correspondente. Assim, havia talismãs não apenas para curar enfermidades produzidas pela influência planetária, mas também para proteger-se de todos os malefícios astrais. Da mesma forma, alguns talismãs eram produzidos com a mistura de diversos metais, fundidos por meios especiais que lhes davam a milagrosa propriedade de destruir toda a influência da aziaga constelação que presidira o nascimento de alguém, e de proporcionar êxito seguro em qualquer empresa e no matrimônio.

Se o amuleto levava o selo de Marte no signo de Escorpião e se fosse fundido sob aquele planeta, quem o carregasse seria vencedor e invulnerável na guerra. Os soldados alemães estavam tão imbuídos desta idéia que, segundo um historiador de uma derrota que experimentaram na França, amuletos desse tipo foram achados no pescoço de todos os mortos e prisioneiros.

Mas as divindades planetárias representadas nestes talismãs não podiam ter uma forma antiga; precisavam trazer uma figura com traje estrambótico e místico. Uma das peças encontradas, destinada a preservar das enfermidades produzidas pela influência de Júpiter, leva a sua efígie, mas “atualizada” numa figura semelhante a um catedrático da universidade de Basiléia: o queixo escondido por uma espessa barba, vestido com trajes da época, um livro aberto na mão esquerda e a fazer gestos declamatórios com a direita.

Esse tipo de extravagância do século dezessete seria renovada pelo célebre Cagliostro nos últimos anos do século dezoito, seduzindo muita gente.

Fontes:

Christtoph Wilhelm Huffeland, La macrobiótica ó El arte de prolongar la vida del hombre

Rambosson, J., Histoire des astres, 1877

 

3 comentários em “Dieta astral

  • 2 de novembro de 2011 em 11:43 am
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    Olá passei para conhecer seu blog ele é muito maneiro super organizado com ótimo conteúdo gostaria de parabenizar pelo excelente trabalho voltarei mais vezes no seu encantador blog que DEUS ilumine seus caminhos e de seus famíliares
    Desejo muito sucesso

  • 3 de novembro de 2011 em 4:39 pm
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    incrivel amei as informaçoes!!

  • 24 de dezembro de 2011 em 9:38 pm
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    Bira, estou sempre aqui, porque em termos de História da Astrologia em Língua Portuguesa, o seu site é excelente. Sempre o tenho divulgado. Um verdadeiro astrólogo precisa também aprender sobre os astrólogos que formaram várias gerações.
    Obrigado sempre!

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