Dante e a astrologia

DANTE webDante Alighieri (1265-1321), também foi adepto da astrologia, que em sua época era ensinada na Universidade de Bolonha (desde 1125), onde ele estudou. Brunetto Latini, que havia sido o seu professor de eloqüência e retórica, fez o horóscopo de Dante. Em sua obra há inúmeras referências astrológicas, o que mostra seu profundo conhecimento do assunto. Assim, numa passagem de “A Divina Comédia”, ele reverencia a constelação de Gêmeos, signo sob o qual nasceu:

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“A bela estrela, do amor auspiciosa Sorrir alegre faz todo o Oriente, Vela os Peixes, que a seguem, luminosa.” Purg., c. 1, v. 19-21

“Ö gloriosíssima estrela, ó lume cheio de virtude magna, devo-te o meu engenho e tudo o mais que seja de estimável, pois em teu signo se encontrava o sol quando respirei pela primeira vez”. (Paraíso, XXII, 112-117)

E no Purgatório, canto XVI:

“Embora livres, estais submetidos a uma força superior e a uma natureza mais elevada, e esta outra potência cria em vós o espírito que os céus não podem dominar.”

Em outra passagem, desta vez no Inferno, Virgílio conduz o poeta diante dos adivinhos, cuja cabeça foi torcida de modo a obrigá-los a nunca mais poderem olhar senão para trás. Este é o castigo por tentarem olhar para o futuro com tanta insolência, privilégio exclusivo de Deus… Nesta seção do Inferno vemos desfilar, entre outros, os mitológicos adivinhos Calcas e Tirésias, e os astrólogos Guido Bonatti e Michael Scott, ridicularizados por terem misturado necromancia com ciência.

O primeiro é acusado de “perícia em fraudes de magia” e o segundo arrepende-se de ter desprezado a ciência pela “horrível arte de encantos infernais”. A condenação refere-se, pois, à prática de magia negra e não ao exercício da astrologia. Já ao patrão de Scott, o rei Frederico II — tido dante textcomo herege —, Dante reserva-lhe um lugar no compartimento dos heresiarcas, no Inferno. Nos últimos livros da Divina Comédia, a astrologia é colocada em posição de dignidade. Ainda, no Purgatório, temos a seguinte passagem:

“O céu inicia os nossos movimentos, não todos na verdade, mas daí não se conclua que, tudo o que fizeres, seja por determinismo, visto que o discernimento do bem e do mal é um lume que te foi dado para modificar aquelas tendências, graças ao teu livre-arbítrio; de modo que, se houveres recebido más influências ao nascer, mais tarde poderás modificá-las se tiveres vontade firme para combatê-las .”(XVI, 73-79)

Fontes:

Dante Alighieri, “A Divina Comédia”, trad. J. P. Xavier Pinheiro, Cia. Brasil Ed., 1955

Edmundo Cardillo, “Aspectos Novos de Velhos Temas”, S. Paulo, 1950

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