Arquivo da Categoria ‘ Literatura ’

21
set

Dante e a astrologia

   Publicado por: Bira Câmara

DANTE webDante Alighieri (1265-1321), também foi adepto da astrologia, que em sua época era ensinada na Universidade de Bolonha (desde 1125), onde ele estudou. Brunetto Latini, que havia sido o seu professor de eloqüência e retórica, fez o horóscopo de Dante. Em sua obra há inúmeras referências astrológicas, o que mostra seu profundo conhecimento do assunto. Assim, numa passagem de “A Divina Comédia”, ele reverencia a constelação de Gêmeos, signo sob o qual nasceu:

DIVIN-01 web

“A bela estrela, do amor auspiciosa Sorrir alegre faz todo o Oriente, Vela os Peixes, que a seguem, luminosa.” Purg., c. 1, v. 19-21

“Ö gloriosíssima estrela, ó lume cheio de virtude magna, devo-te o meu engenho e tudo o mais que seja de estimável, pois em teu signo se encontrava o sol quando respirei pela primeira vez”. (Paraíso, XXII, 112-117)

E no Purgatório, canto XVI:

“Embora livres, estais submetidos a uma força superior e a uma natureza mais elevada, e esta outra potência cria em vós o espírito que os céus não podem dominar.”

Em outra passagem, desta vez no Inferno, Virgílio conduz o poeta diante dos adivinhos, cuja cabeça foi torcida de modo a obrigá-los a nunca mais poderem olhar senão para trás. Este é o castigo por tentarem olhar para o futuro com tanta insolência, privilégio exclusivo de Deus… Nesta seção do Inferno vemos desfilar, entre outros, os mitológicos adivinhos Calcas e Tirésias, e os astrólogos Guido Bonatti e Michael Scott, ridicularizados por terem misturado necromancia com ciência.

O primeiro é acusado de “perícia em fraudes de magia” e o segundo arrepende-se de ter desprezado a ciência pela “horrível arte de encantos infernais”. A condenação refere-se, pois, à prática de magia negra e não ao exercício da astrologia. Já ao patrão de Scott, o rei Frederico II — tido dante textcomo herege —, Dante reserva-lhe um lugar no compartimento dos heresiarcas, no Inferno. Nos últimos livros da Divina Comédia, a astrologia é colocada em posição de dignidade. Ainda, no Purgatório, temos a seguinte passagem:

“O céu inicia os nossos movimentos, não todos na verdade, mas daí não se conclua que, tudo o que fizeres, seja por determinismo, visto que o discernimento do bem e do mal é um lume que te foi dado para modificar aquelas tendências, graças ao teu livre-arbítrio; de modo que, se houveres recebido más influências ao nascer, mais tarde poderás modificá-las se tiveres vontade firme para combatê-las .”(XVI, 73-79)

Fontes:

Dante Alighieri, “A Divina Comédia”, trad. J. P. Xavier Pinheiro, Cia. Brasil Ed., 1955

Edmundo Cardillo, “Aspectos Novos de Velhos Temas”, S. Paulo, 1950

9
mar

Goethe e as Afinidades Astrológicas

   Publicado por: Bira Câmara

Goethe (1749-1832), além de escritor genial tam­bém se dedicou a estudos alquímicos e se inte­ressou pela astrologia. Pesquisou o momento exato do seu nascimento e levantou horóscopos com o propósito de compará-los com o seu. Assim, registrou a coincidência entre sua casa solar (o signo de Virgem) e a casa lunar de Chris­tiane Vulpius, a mais importante de suas amantes… Ler texto completo »

8
dez

Walter Scott e o desencanto da astrologia

   Publicado por: Bira Câmara

Apesar de ter escrito uma novela que tem por subtítulo “O astrólogo” – Guy Mannering (1815) -, Walter Scott não tinha a astrologia em alta consideração. Na obra Letters on Demonology and Witchcraft (1830) ele dedica algumas páginas à astrologia e justifica a referência a essa “dama desonrada” num tratado sobre demonologia, “porque os astrólogos sempre pretenderam manter relação com os espíritos elementais, segundo os princípios da filosofia Rosacruciana, embora neguem fazer uso da magia negra ou da necromancia”. Aparentemente o seu conhecimento do assunto não ultrapassava os limites impostos pelos preconceitos da época e pelo lado anedótico da astrologia. Ler texto completo »

22
out

Poetas da Lua e das estrelas

   Publicado por: Bira Câmara

A Lua, Vênus (estrela Vésper) e as estrelas são temas recorrentes na produção poética através dos tempos.

Os poetas da antiguidade cantaram a Lua, mas o fizeram sobretudo para celebrar nela a divindade mitológica múltipla e diversa: Febe – chama noturna do mundo -, Diana – a caçadora -, Hécate – guardiã dos infernos -, Lucina – que ajuda as mães a pôr filhos no mundo. Ler texto completo »

9
out

Virgílio, mago e profeta

   Publicado por: Bira Câmara

VirgílioVirgílio (71 A.C.-14 D.C.), além de ter sido o maior poeta romano, foi também um aficionado da magia e da astrologia. Quem já não ouviu falar na famosa profecia que, segundo os cristãos, antecipou o nascimento de Cristo? Ela pode ser identificada na célebre IVª Écloga da “Eneida”, onde o poeta faz referência a uma profecia da Sibila de Cumas:

“Já está chegando a última época da predição (da Sibila) de Cumas; a grande sucessão dos séculos recomeça de novo. Já volta a Virgem, voltam os reinos de Saturno; uma nova raça desce do alto do céu. Essa criança que nasceu encerrará a Idade de Ferro e trará de volta a Idade do Ouro no mundo inteiro.”

Esta profecia deu muito o que falar, e houve quem visse nela uma referência ao nascimento de Cristo, ocorrido poucos anos depois que ela foi publicada. Mais certo, entretanto, é que ela se referisse ao nascimento do filho de Mecenas, Polião. Graças a ela, Virgílio gran­jeou a fama de profeta e seus textos conquistaram enorme popularidade através da Idade Média na Europa. Ler texto completo »

9
set

A astrologia no fundo do poço

   Publicado por: astroanedotario

No século XVII a astrologia começa a cair em descrédito entre os intelectuais e pessoas cultas, como bem ilustra a fábula de La Fontaine (1621-1695), poeta e acadêmico francês:

Um astrólogo, certo dia, deixou-se cair,
No fundo de um poço. E disseram-lhe: Grande tolo
Se mal podes ver onde põe os pés,
Como te atreves a decifrar o que não enxergas?


Página 1 de 11
Copy Protected by Chetan's WP-CopyProtect.