Arquivo da Categoria ‘ História ’

29
jan

A morte de Ivan, o Terrível

   Publicado por: Bira Câmara

 Ivan o Terrível (1530-1584), que livrou a Rússia dos selvagens conquistadores tártaros, fez jus a seu nome por conta do exagero de crueldade que usava nas suas matanças. Segundo palavras de Alexandre Dumas,”durante quatorze anos alcançou os primeiros graus do sublime; durante trinta, os últimos limites do horrível. Perto dele, Calígula é uma pomba; Nero, um carneiro”.

Ivan Vassiliévitch Grozny, grão-duque de Moscou desde os três anos de idade, foi o primeiro governante a utilizar o título de czar (césar, ou imperador) de todas as Rússias. No ano de sua morte, um cometa foi visto na Rússia, o que o levou a consultar astrólogos para confirmar o prenúncio de sua morte.

 Um pouco antes de sua morte mandou decapitar um príncipe e seu filho; outro nobre, acusado de conspirar para destroná-lo, obrigou-o a sentar-se em seu trono e o matou a punhaladas; já outro príncipe foi assado vivo num fogareiro; seu tesoureiro, junto com seus quatro filhos, foi cortado em pedaços; quanto ao príncipe Vorotinsky, não se safisfez somente em queimar vivo, mas atiçou pessoalmente o braseiro; um de seus condenados, que tentou fugir disfarçado de monge, foi obrigado a sentar-se num barril de pólvora e mandado aos ares, com a seguinte sentença de Ivan: “Os cenobitas são os anjos que devem ser enviados ao céu.” Espirrou sopa fervente no seu bufão e, como este não riu da brincadeira, matou-o com um golpe de cutelo; um de seus cortesãos teve uma orelha cortada e agradeceu a Ivan lhe deixar a outra…

 Um cometa apareceu na Rússia em 1584 e Ivan, vendo nele o prenúncio de sua morte, convocou magos e astrólogos, entregou-lhes uma casa em Moscou e mandou seu favorito, Belsky, confabular com eles diariamente. Depois, como os astrólogos prognosticaram o seu fim, subiu ao terraço de uma igreja e fez a confissão pública de suas culpas, pedindo humildemente orações aos pobres e indicando o seu filho como sucessor ao trono. No dia assinalado como o de sua morte pelos astrólogos, anunciou que seriam estes que morreriam e não ele. Em seguida resolveu jogar uma partida de xadrez com Belsky, mas ao tocar o primeiro peão soltou um grito, levantou-se, caiu para trás em seu leito e morreu.

Fonte: Alexandre Dumas, En Russie: impressions de voyage (Le Caucase: impressions de voyage), 1907

2
ago

Predições Antológicas

   Publicado por: Bira Câmara

200px-CaracallaAtribui-se ao imperador romano Caracala (imperador de 211 a 217), o assassinato de possíveis sucessores ao trono do império, baseado em “diagramas de posições siderais”. Apesar de matar muita gente cujos horóscopos prometiam elevação, Caracala não percebeu nada que o ameaçasse em Gordiano, o velho. Autor de um longo poema épico em sua homenagem chamado Antoninias, tornou-se imperador, embora por um breve espaço de tempo (três semanas).

Caracala parece ter tido a mesma convicção total na astrologia que o seu pai Sétimo Severo. Muitos astrólogos foram chamados para o aconselhar, e vários deles – o egípcio Serápio, Asclétion, e Larginus Proculus – o preveniram que ele não viveria muito tempo e que o seu sucessor seria Macrinus, um prefeito. Asclétion foi executado, Larginus Proculus foi condenado à execução imediatamente depois da data que tinha predito para a morte de Caracala, e Serápio foi lançado a um leão (que apenas lambeu-lhe a mão e, assim, uma execução mais prosaica teve de ser providenciada).

gordiano 1Conta-se que Gordiano, o velho, que havia sido governador da Grã-Bretanha romana em 216 e cônsul durante o reinado de Heliogábalo, um dia consultou um astrólogo sobre o destino de seu filho e ouviu em resposta que ele seria filho, pai de imperador e imperador também. E, como Gordiano risse, o astrólogo lhe mostrou a configuração dos astros, citando passagens de velhos livros, para provar que tinha dito a verdade. Predisse também ao velho e ao jovem, o dia e o gênero de suas mortes, os lugares onde morreriam, com firme convicção da verdade. Gordiano I, o velho, e Gordiano II - pai e filho -, tornaram-se imperadores, mas permaneceram no poder por um tempo ínfimo. Sendo o primeiro descendente de Trajano, foi nomeado imperador pelos africanos durante uma sublevação contra o imperador (Máximo Trácio) e governou apenas três semanas; em 238 foi derrotado em Cartago pelo procurador da Numídia. Neste mesmo ano, o filho morreu na defesa de Cartago. Sucedeu-os, Gordiano III, o piedoso, imperador de 238 a 244.

Alexandre Severo, último dos imperadores romanos da dinastia 250px-Alexander_Severus_Musei_Capitolini_MC471dos Severos, que reinou entre 222 e 235, era astrólogo, mas não fazia alarde desta habilidade. Todavia, encorajou os astrólogos profissionais a se organizarem em um corpo para transmitir o seu conhecimento de uma maneira disciplinada, anunciando-se de fato como professores. Fundou cátedras para astrólogos mantidas pelo Estado, com bolsas para os estudantes. Seu interesse pelas estrelas era tão grande que foi comparado ao astrólogo da fábula que, com os olhos no céu, cai desastradamente num poço. O astrólogo Trasíbulo, seu amigo íntimo, disse-lhe que ele morreria pela espada dos bárbaros. O imperador ficou lisonjeado de início, porque desejava uma morte guerreira e digna de um imperador. Depois, pôs-se a dissertar, para demonstrar que todos os grandes homens tinham perecido de morte violenta, citando Alexandre o grande, Pompeu, César, Demóstenes e outros personagens insignes que não tinham morrido pacificamente. Exaltou-se a ponto de julgar-se comparável aos deuses se morresse na guerra. Mas a predição cumpriu-se apenas em parte, pois morreu sob a espada de um soldado romano durante um motim… Era bem intencionado, tratou bem os cristãos, mas não tinha apoio político e militar.

7
jun

Juliano, o Imperador do Sol

   Publicado por: Bira Câmara

juliangold1Juliano, o Apóstata, foi imperador romano de 361 a 363. Quando nasceu, como todos os grandes imperadores, também teve o seu destino brilhante predito por um astrólogo, Theophille Melos, bispo de Alexandria. No seu curto reinado tentou reinstaurar o paganismo e revitalizar o culto aos deuses greco-romanos, ligando-os ao platonismo. Viveu cercado por filósofos, magos, astrólogos e adivinhos. Stephanus Mehebum, médico e astrólogo, foi quem lhe ensinou astrologia, na sua juventude. O próprio Juliano costumava levantar e interpretar horóscopos. Máximo de Éfeso, um dos últimos hierofantes da religião pagã, foi seu preceptor e conselheiro. Segundo cronistas da época, ele teria convencido Juliano de que o espírito de Alexandre reencarnara nele.

Leu os grandes filósofos pagãos, principalmente Platão, e os neoplatônicos como Celso, Jâmblico e Porfírio. Como o cristianismo tornara-se a religião oficial do império e o paganismo era então perseguido, Juliano teve de esconder a sua veneração pelos deuses antigos, até chegar a ser de fato imperador, em 361. Ler texto completo »

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