Arquivo da Categoria ‘ Astrólogos ’

26
ago

Dieta astral

   Publicado por: Bira Câmara

O famoso astrólogo Rudolf Thurneisen, que viveu em Berlin no século dezessete, foi uma figura verdadeiramente rara e um fenômeno extraordinário em matéria de astrologia horária. Destacou-se também como médico do príncipe de Brandenburgo, químico, redator de almanaques, impressor e livreiro.

Sua reputação de astrólogo era tão grande que não nascia quase nenhuma criança numa família importante da Alemanha, da Polônia, da Hungria, da Dinamarca e até mesmo da Inglaterra, sem que lhe mandassem imediatamente um correio com o horário preciso de seu nascimento. Com frequência chegavam três e até seis ou doze mensagens desse gênero ao mesmo tempo. Por causa disso, acabou tão sobrecarregado de trabalho que foi obrigado a contratar assistentes.

A biblioteca de Berlin guarda volumes inteiros de consultas desse gênero, no meio dos quais se encontra até cartas da rainha Elizabeth. Além disso, ele tinha tempo para escrever anualmente um almanaque astrológico, no qual assinalava, em poucas palavras ou com alguns sinais arbitrários, não apenas a qualidade do ano em geral, mas também os principais eventos e a temperatura de cada dia. Mas, é claro, só explicava suas predições um ano depois de publicadas… Entretanto, por uma boa soma de dinheiro e adulações, confidenciava por antecipação suas profecias.

Não deixa de ser surpreendente a eficácia de um oráculo feito em termos vagos e ao qual muitas vezes o acaso dava um cumprimento feliz. De qualquer forma, durante mais de vinte anos seu almanaque teve um sucesso prodigioso e, junto com outras charlatanices, proporcionou-lhe uma fortuna incalculável para os padrões da época.

Thurneisen enganava as pessoas crédulas receitando uma espécie de “dieta astral” para prolongar a vida, baseado no princípio de que cada homem está submetido à influência de determinada constelação e que cada uma delas, bem como um planeta, tinha correlação com as plantas, os metais, os animais, os povos, edifícios, países, etc. Assim, era necessário saber de que astro ou constelação poderia vir uma enfermidade ou desgraça e, para conservar-se feliz e saudável, bastava consumir bebidas e alimentos colocados sob a influência dos planetas opostos. Evidentemente, há uma contradição nesse princípio, pois se os astros determinam até a duração da vida, como pode ser possível prolongá-la? Os clientes de Thurneisen pareciam não dar muita importância a isso…

 Talismãs astrológicos

A crença na correspondência e simpatia perfeita entre os planetas e os metais é antiga. Mas essa idéia retomada por Thurneisen deu origem a uma doutrina inteiramente nova, muito diferente da dos gregos. Se alguém estivesse sob uma constelação adversa que o ameaçasse com uma grave doença ou qualquer outro acidente, bastava deslocar-se a um lugar protegido por um astro tutelar, ou então consumir alimentos e medicamentos que, com o apoio de uma constelação propícia, fossem capazes de neutralizar a influência do astro maléfico. Dessa forma acreditava-se prolongar a vida por meio de talismãs e amuletos.

Com os metais em perfeita relação com os planetas, bastava levar consigo um talismã fabricado com metal adequado, fundido, colado ou gravado sob certas condições para adquirir a virtude abrangente e proteção do planeta correspondente. Assim, havia talismãs não apenas para curar enfermidades produzidas pela influência planetária, mas também para proteger-se de todos os malefícios astrais. Da mesma forma, alguns talismãs eram produzidos com a mistura de diversos metais, fundidos por meios especiais que lhes davam a milagrosa propriedade de destruir toda a influência da aziaga constelação que presidira o nascimento de alguém, e de proporcionar êxito seguro em qualquer empresa e no matrimônio.

Se o amuleto levava o selo de Marte no signo de Escorpião e se fosse fundido sob aquele planeta, quem o carregasse seria vencedor e invulnerável na guerra. Os soldados alemães estavam tão imbuídos desta idéia que, segundo um historiador de uma derrota que experimentaram na França, amuletos desse tipo foram achados no pescoço de todos os mortos e prisioneiros.

Mas as divindades planetárias representadas nestes talismãs não podiam ter uma forma antiga; precisavam trazer uma figura com traje estrambótico e místico. Uma das peças encontradas, destinada a preservar das enfermidades produzidas pela influência de Júpiter, leva a sua efígie, mas “atualizada” numa figura semelhante a um catedrático da universidade de Basiléia: o queixo escondido por uma espessa barba, vestido com trajes da época, um livro aberto na mão esquerda e a fazer gestos declamatórios com a direita.

Esse tipo de extravagância do século dezessete seria renovada pelo célebre Cagliostro nos últimos anos do século dezoito, seduzindo muita gente.

 Fontes:

Christtoph Wilhelm Huffeland, La macrobiótica ó El arte de prolongar la vida del hombre

Rambosson, J., Histoire des astres, 1877

 

11
set

Tibério, astrólogo

   Publicado por: Bira Câmara

TiberiusO imperador romano Tibério não só consultava astrólogos, como também sabia fazer e interpretar horóscopos com grande perspicácia. Teve a seu serviço Trasilo, célebre astrólogo da época. Sua mãe, como era hábito entre os antigos romanos, consultou o adivinho Escribonius, antes mesmo dele nascer, e ouviu a profecia do futuro brilhante que estava reservado ao seu filho.

Segundo Tácito e Suetônio, Trasilo teria instruído Tibério na astrologia, na época em que viveu em Rhodes. Talvez por isso este imperador tenha condenado à morte grande número de pessoas acusadas de ter tirado seu horóscopo, com receio de que tornassem públicas as honras que lhe estavam reservadas. Suetônio conta que o imperador fazia em segredo, ele mesmo, o horóscopo das pessoas mais importantes, para saber se não havia nenhum rival entre elas. Ler texto completo »

28
ago

Michael Scot, um astrólogo lendário

   Publicado por: Bira Câmara

Michael Scot, astrólogo, monge, médico, mate­mático, astrônomo, pintor e alquimista nascido no fim do século XII, é uma das figuras mais fascinantes da história da astrologia. Chamado de “o Mago do Norte”, muitos historiadores o consideram o primeiro cientista da Escócia. Scot foi tão famoso que se tornou uma lenda, como outro monge, Roger Bacon, um homem de ciência como ele; sua biografia como a de Bacon, perdeu-se nas brumas do mito e da lenda após sua morte. Em 1385, Bacon disse ser capaz de materializar uma ponte acima do ar para atravessar um rio. No século anterior, Scot afirmou ter dividido os Montes Eildon, na Escócia!

Não só pela aura de mistério que cerca sua biografia, mas também pelos feitos que lhe são atribuídos, sua fama de mago-astrólogo impregnou o imaginário popular ao longo do tempo e tem inspirado até hoje personagens de ficção (1). O mistério começa já na sua origem: não se sabe se era escocês, irlandês ou francês e não se possui nenhum dado a respeito da data de seu nascimento. Em 1236, a obra de um poeta ligado à corte do Imperador Frederico II, na Sicilia, menciona sua morte. É tudo que se sabe dele. Ler texto completo »

2
ago

Predições Antológicas

   Publicado por: Bira Câmara

200px-CaracallaAtribui-se ao imperador romano Caracala (imperador de 211 a 217), o assassinato de possíveis sucessores ao trono do império, baseado em “diagramas de posições siderais”. Apesar de matar muita gente cujos horóscopos prometiam elevação, Caracala não percebeu nada que o ameaçasse em Gordiano, o velho. Autor de um longo poema épico em sua homenagem chamado Antoninias, tornou-se imperador, embora por um breve espaço de tempo (três semanas).

Caracala parece ter tido a mesma convicção total na astrologia que o seu pai Sétimo Severo. Muitos astrólogos foram chamados para o aconselhar, e vários deles – o egípcio Serápio, Asclétion, e Larginus Proculus – o preveniram que ele não viveria muito tempo e que o seu sucessor seria Macrinus, um prefeito. Asclétion foi executado, Larginus Proculus foi condenado à execução imediatamente depois da data que tinha predito para a morte de Caracala, e Serápio foi lançado a um leão (que apenas lambeu-lhe a mão e, assim, uma execução mais prosaica teve de ser providenciada).

gordiano 1Conta-se que Gordiano, o velho, que havia sido governador da Grã-Bretanha romana em 216 e cônsul durante o reinado de Heliogábalo, um dia consultou um astrólogo sobre o destino de seu filho e ouviu em resposta que ele seria filho, pai de imperador e imperador também. E, como Gordiano risse, o astrólogo lhe mostrou a configuração dos astros, citando passagens de velhos livros, para provar que tinha dito a verdade. Predisse também ao velho e ao jovem, o dia e o gênero de suas mortes, os lugares onde morreriam, com firme convicção da verdade. Gordiano I, o velho, e Gordiano II - pai e filho -, tornaram-se imperadores, mas permaneceram no poder por um tempo ínfimo. Sendo o primeiro descendente de Trajano, foi nomeado imperador pelos africanos durante uma sublevação contra o imperador (Máximo Trácio) e governou apenas três semanas; em 238 foi derrotado em Cartago pelo procurador da Numídia. Neste mesmo ano, o filho morreu na defesa de Cartago. Sucedeu-os, Gordiano III, o piedoso, imperador de 238 a 244.

Alexandre Severo, último dos imperadores romanos da dinastia 250px-Alexander_Severus_Musei_Capitolini_MC471dos Severos, que reinou entre 222 e 235, era astrólogo, mas não fazia alarde desta habilidade. Todavia, encorajou os astrólogos profissionais a se organizarem em um corpo para transmitir o seu conhecimento de uma maneira disciplinada, anunciando-se de fato como professores. Fundou cátedras para astrólogos mantidas pelo Estado, com bolsas para os estudantes. Seu interesse pelas estrelas era tão grande que foi comparado ao astrólogo da fábula que, com os olhos no céu, cai desastradamente num poço. O astrólogo Trasíbulo, seu amigo íntimo, disse-lhe que ele morreria pela espada dos bárbaros. O imperador ficou lisonjeado de início, porque desejava uma morte guerreira e digna de um imperador. Depois, pôs-se a dissertar, para demonstrar que todos os grandes homens tinham perecido de morte violenta, citando Alexandre o grande, Pompeu, César, Demóstenes e outros personagens insignes que não tinham morrido pacificamente. Exaltou-se a ponto de julgar-se comparável aos deuses se morresse na guerra. Mas a predição cumpriu-se apenas em parte, pois morreu sob a espada de um soldado romano durante um motim… Era bem intencionado, tratou bem os cristãos, mas não tinha apoio político e militar.

3
abr

O astrólogo do califa al-Mamoun

   Publicado por: Bira Câmara

Faddel ben-Sahal, primeiro vizir do califa al-Mamoun (786-833), gozava de tal consideração desse monarca, que recebeu o título eminente de Doul-riassatéh (possuidor de dois comandos): este título designava o duplo poder que recebera graças a confiança que o califa depositava nele, colocando-o na chefia de todos os negócios do império, tanto civis como militares.

Faddel estava a serviço de al-Mamoun há muito tempo, antes mesmo que este príncipe chegasse ao califado, e conquistara as boas graças de seu patrão não sómente pela sua constante fidelidade, mas também pelos seus admiráveis conhecimentos astronômicos e astrológicos. Ler texto completo »

27
nov

Luis XI

   Publicado por: Bira Câmara

A autenticidade da maioria das anedotas e histórias de astrólogos e suas predições é quase sempre duvidosa: esses relatos variam de acordo com a crença ou descrença na astrologia por parte de seus autores. Quando o cronista é cético, ele costumeiramente põe em dúvida a veracidade da anedota e procura ridicularizar a figura do astrólogo; se é adepto da astrologia, ocorre o inverso. Não tenho dúvidas de que boa parte do anedotário astrológico foi inventada para denegrir ou enaltecer determinado personagem, ou apenas para desacreditar a astrologia. Mas onde há fumaça, há fogo. Os fatos podem não ter acontecido exatamente da maneira que foram relatadoas pelos cronistas, mas por certo algo de inusitado ocorreu. Ler texto completo »

21
nov

Predições

   Publicado por: Bira Câmara

  • Um duque de Mântova tinha na sua estrebaria uma égua de raça que estava prenha e pariu um mulo. Anotou a hora e enviou emissários aos astrólogos mais célebres da Itália, pedindo-lhes o horóscopo do bastardo nascido em seu palácio. Matreiramente, não especificou que se tratava de um mulo. Os adivinhos se desdobraram para agradar ao príncipe, acreditando que fosse o seu filho. Uns predisseram que ele seria um grande general do exército, outros foram mais exagerados, mas todos, sem exceção, o cumularam de elevadas dignidades…
  • Um dos médicos astrólogos do rei Carlos IX, da França, receitou-lhe um exercício para prolongar a vida: ficar girando sobre o calcanhar por uma hora, diariamente. Segundo o charlatão, cada volta dada significava um dia a mais de vida. Assim, todas as manhãs o rei se entregava a esse solene exercício, empenhando-se em rodopiar o maior número possível de vezes por esse espaço de tempo. Conta-se que os principais oficiais do Estado, os generais, o chanceler e os velhos juízes faziam piruetas sobre um pé só para imitar o príncipe e lhe fazer companhia… Ler texto completo »
5
nov

Teófilo de Edessa

   Publicado por: Bira Câmara

O primeiro escritor astrológico notável entre os árabes foi um grego, Teófilo de Edessa (c. 695-785), influenciado pela astrologia hindu. Escreveu quatro tratados astrológicos em grego, sendo que um deles tratava exclusivamente de astrologia militar. Em idade avançada, ele se tornou o astrólogo da corte do Califa Al-Mahdî (m.785), que o tinha em alta estima por causa da sua perícia na arte da astrologia. Há uma anedota interessante sobre esses dois personagens: Ler texto completo »

17
out

Morin de Villefranche, o último Astrólogo Real da França

   Publicado por: Bira Câmara

Segundo o estudioso argentino Dr. Carlos Raitzin, como astrólogo “o maior mérito de Morin e um dos seus mais consideráveis êxitos foi reconstituir os restos deformados de uma venerável Tradição Astrológica que ele recebeu exatamente na forma que correspondia, separando com tanto gênio e precisão o joio do trigo. Os excessos fantasistas dos árabes haviam desembocado na Idade Média européia com uma Astrologia grotescamente ‘enriquecida’ de quantos elementos imaginários se poderia imaginar.” Ler texto completo »

11
out

O astrólogo de Perón

   Publicado por: Bira Câmara

Mesmo considerada uma atividade marginal e desacreditada no século XX, ainda assim a astrologia continuou a seduzir os governantes. No Brasil, sabe-se que Getúlio Vargas era cliente de Demétrio de Toledo, que havia sido cônsul brasileiro em Paris e estudado com o astrólogo Don Neroman. Autor do livro “Eis a Astrologia”, publicado em 1943, formou e ensinou astrólogos, além de ministrar curso de Astrologia por correspondência e editar a revista Sombra e Luz, entre 1934 e 1937. Na Argentina, o astrólogo Lopes Rega, de triste memória, foi secretário particular de Perón e tornou-se até ministro de EstadoLer texto completo »

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