CALÍGULA

Há uma anedota divertida sobre a ascensão de Calígula (12-41 d.C.) ao trono do Império Romano. Sucessor de Tibério, sabe-se que apressou sua morte asfixiando-o com um travesseiro. Segundo Suetônio, antes de se tornar imperador, Calígula construiu uma ponte no golfo de Baías, uma extensão de água de duas milhas e meia, ligando Baías a Puzzuoli, do outro lado. Para isso juntou em fila dupla todos os navios existentes na região, cobrindo-os com um calçamento de terra que a tornou parecida com a Via Ápia. Durante dois dias consecutivos não fez outra coisa senão ir e vir pela ponte. No primeiro, montado em um cavalo, vestido como um gladiador da Trácia e com uma coroa de carvalho na cabeça. No segundo, vestido como um condutor, numa carruagem puxada por dois cavalos famosos. À sua frente, ia o jovem Dario, um dos reféns dos partos, escoltado por um destacamento de pretorianos e por um grupo de amigos em bigas. Houve quem pensasse que Calígula inventou esta ponte para rivalizar-se com Xerxes, o conquistador persa que fizera coisa semelhante, atravessando o estreito do Helesponto na sua parte mais estreita. Mas a causa real, revelada pelos seus cortesãos mais íntimos, era outra: na ocasião, como Tibério estivesse inquieto quanto ao seu sucessor e mostrasse preferência pelo seu verdadeiro neto (Tibério, filho de Druso), para tranqüilizá-lo o astrólogo Trasilo dissera que “Calígula tinha tanta chance de chegar ao trono quanto de atravessar o golfo de Baías a cavalo”… Não se sabe se essa diatribe foi para afrontar o imperador e seu astrólogo ou para aumentar suas chances de chegar ao trono.

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